FCC dos EUA: prazo p/ banir drones DJI vence em 2/9

A DJI está convocando pilotos comerciais dos Estados Unidos a enviarem comentários públicos à FCC até 2 de setembro de 2026, contra uma proposta que pode banir retroativamente drones já homologados pela agência, como o Matrice 400 e a estação de recarga Dock 2. A regra mira capacidades como câmera térmica, LiDAR, pulverização e enxame — presentes também nos drones agrícolas Agras, os mais vendidos do Brasil.
Contexto: a escalada regulatória contra a DJI
A Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) mantém uma "Covered List" — lista de equipamentos de comunicação considerados ameaça à segurança nacional americana, majoritariamente de fabricantes chineses. Em 21 de julho de 2026, a agência propôs ampliar esse poder para banir a importação, comercialização e venda de drones que se encaixem em seis critérios técnicos, citando a DJI e a Autel Robotics nominalmente — proposta que o PickDrones já cobriu na época.
O que mudou em 7 de agosto foi o alcance e o prazo. Segundo a DJI, o novo texto em discussão não bloquearia apenas produtos futuros: poderia proibir retroativamente a venda de modelos que a própria FCC já havia aprovado para o mercado americano, mesmo que donos atuais pudessem continuar voando com os equipamentos que já possuem. Com a janela de comentário público fechando em menos de quatro semanas a partir do anúncio, a DJI pediu que pilotos se manifestassem diretamente aos reguladores em vez de esperar pelo resultado.
Para contexto sobre o catálogo afetado, veja o guia completo de drones DJI e como a pulverização agrícola funciona no guia de drones agrícolas no Brasil.
Quais drones DJI a proposta da FCC pode atingir?
A proposta da FCC classifica equipamentos por capacidade técnica, não por marca — o que, segundo a DJI, amplia o impacto prático muito além dos drones "de grau militar" citados no texto original. De acordo com a empresa e reportagem do PetaPixel, a regra, como proposta, alcançaria:
| Capacidade | Exemplos de produtos afetados |
|---|---|
| Câmera térmica | Plataformas de segurança pública e inspeção |
| Sensor LiDAR | Drones de mapeamento; sistemas de desvio de obstáculos |
| Dispersão de aerossol/spray | Drones agrícolas DJI Agras |
| Estação de recarga automática | DJI Dock 2 e sistemas similares |
| Peso acima de 25 kg (55 lb) | DJI FlyCart e outras plataformas de carga pesada |
A DJI cita especificamente o Matrice 400 e a Dock 2 como produtos afetados, já que ambos reúnem várias das capacidades listadas. A empresa também observa que o texto é amplo o suficiente para atingir drones de consumo que usam LiDAR apenas como recurso de segurança para desviar de obstáculos, sem nenhuma aplicação militar.
Quem já possui um drone afetado não perderia o direito de voar com ele. Mas, segundo a DJI, os produtos sairiam das lojas e do site da própria fabricante se a FCC aprovar a regra final, e o estoque não vendido nos EUA poderia precisar ser baixado como perda — um cenário que também cortaria o fornecimento de peças de reposição e novas unidades para frotas em expansão.
Como enviar um comentário à FCC
A DJI está direcionando operadores para a Drone Advocacy Alliance, organização que criou um formulário guiado para enviar comentários ao processo da FCC. As recomendações da própria DJI para um comentário eficaz:
- Descrever como o drone afetado é usado (inspeção, mapeamento, pulverização, segurança pública etc.)
- Explicar por que a capacidade específica — térmica, LiDAR, dock, carga útil — importa para esse trabalho
- Relatar como a perda de acesso ao produto afetaria a operação ou a comunidade atendida
- Informar se existe hoje uma alternativa fabricada nos EUA que seja realmente comparável
Segundo a DJI, comentários pessoais e baseados em experiência real de operação têm mais peso junto à agência do que textos-modelo repetidos. O prazo final para envio é 2 de setembro de 2026.
O que muda para o piloto brasileiro
A proposta da FCC é uma medida de importação americana e não altera, por si só, nenhuma regra da ANAC, do DECEA ou do SISANT — quem já opera um DJI Agras, Mavic ou Matrice no Brasil continua sob a regulamentação nacional, hoje concentrada no RBAC 100 e na ICA 100-40. Não há, até o momento, qualquer sinalização de que o mercado brasileiro seguiria uma restrição equivalente.
O ponto de atenção é indireto, mas relevante: o Brasil é o maior mercado de drones agrícolas da DJI fora da China, com a linha Agras — justamente citada na proposta pela função de pulverização — lançada localmente com o Agras T55 e T100 há poucas semanas, em Itajaí (SC). Uma eventual proibição de venda nos EUA não interrompe a fabricação ou a exportação para o Brasil, mas pressiona a DJI a redesenhar produtos por capacidade — thermal, LiDAR, spray, dock — para manter acesso ao mercado americano, o que pode influenciar quais versões e atualizações de software chegam globalmente, inclusive por aqui, nos próximos ciclos de lançamento. Vale acompanhar o desdobramento do processo até a decisão final da FCC, esperada só depois do fechamento da consulta pública.
FAQ
Fontes: DJI Viewpoints | PetaPixel
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