FCC veta peças DJI e Autel em drones dos EUA em 13/10

A partir de 13 de outubro de 2026, a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) vai rejeitar qualquer pedido de homologação de drone que contenha uma peça eletrônica "com lógica" fabricada pela DJI ou pela Autel Robotics — mesmo que o drone tenha sido projetado e montado inteiramente nos EUA. A regra, publicada como Terceiro Relatório e Ordem (FCC 26-50) e revelada em análise da DroneXL em 21 de setembro de 2026, fecha uma brecha que permitia a fabricantes americanos usar controladoras de voo, módulos de rádio e placas de câmera chinesas em drones vendidos como "feitos nos EUA".
O contexto: mais uma etapa do cerco da FCC à DJI
A medida não nasce isolada. A DJI e a Autel foram incluídas na "Covered List" da FCC em 23 de dezembro de 2025, o que já bloqueava a homologação de novos modelos completos das duas fabricantes nos Estados Unidos — como o PickDrones detalhou na cobertura da situação da DJI nos EUA. Só que essa restrição valia para produtos vendidos com a marca DJI ou Autel; um drone montado por uma empresa americana, usando componentes internos chineses de terceiros, continuava conseguindo aprovação normalmente.
A nova regra fecha exatamente essa brecha. Em vez de mirar o produto acabado, a FCC agora também barra qualquer componente com capacidade lógica — processadores, controladoras de voo, módulos de rádio, placas de câmera e de gimbal — fabricado por uma empresa que já está na Covered List, não importa em qual drone ele seja instalado nem onde a montagem final aconteça.
O que é um "componente com lógica" e o que fica banido
Segundo o texto da ordem, um componente é considerado "logic-bearing" (com lógica) quando gera ou processa sinais digitais de temporização acima de 9.000 ciclos por segundo, ou quando usa radiofrequência para computar, armazenar ou movimentar dados. Na prática, isso cobre:
| Componente afetado | Exemplo |
|---|---|
| Controladora de voo | Placa que processa sensores e comanda os motores |
| Módulo de rádio | Transmissão de vídeo e telemetria (como O3/O4 da DJI) |
| Placa de câmera | Processamento de imagem e vídeo |
| Controlador de gimbal | Estabilização da câmera nos 2-3 eixos |
Ficam de fora da restrição peças passivas como carcaça, parafusos, fiação, resistores e células de bateria — ou seja, um drone pode usar bateria ou chassi de origem chinesa sem problema; o veto é específico para os componentes que "pensam".
Por que isso muda o jogo para fabricantes americanos
Até agora, o programa Blue UAS (a lista de drones aprovados para uso pelo governo dos EUA) e as regras de conteúdo "Buy American" toleravam até 35% de peças estrangeiras em um drone, desde que 65% do valor dos componentes fosse de origem doméstica. Com a nova regra, esse cálculo perde relevância se qualquer parte do lote de 35% for uma placa da DJI ou da Autel: basta um único componente dessas duas empresas para desqualificar a homologação inteira, mesmo que o restante do drone seja 100% americano.
O efeito prático é uma assimetria que a própria DroneXL destacou: dois drones montados no Texas, com placas estrangeiras equivalentes, podem ter destinos opostos na FCC — um aprovado, outro rejeitado — dependendo unicamente de qual fornecedor fabricou o componente, já que o veto está atrelado ao nome da empresa na Covered List, e não à simples origem geográfica da peça.
Cronograma: quem fica protegido e quem não fica
Pedidos de homologação protocolados antes de 13 de outubro de 2026 ficam com o status anterior preservado — mas essa proteção cai automaticamente se qualquer componente do drone for trocado depois disso. Equipamentos já homologados e no mercado não são afetados retroativamente. Por isso a orientação de advogados especializados no tema, como o boletim do escritório Wiley, é que fabricantes americanos identifiquem por escrito, com urgência, a origem de cada placa usada em seus drones antes do prazo.
Dentro do programa Blue UAS, aprovações condicionais que antes tinham validade até 31 de dezembro de 2026 passam a depender do cronograma de "onshoring" (nacionalização da produção) de cada empresa, e não mais de uma data fixa — o que dá mais flexibilidade a fabricantes que já têm plano de substituir fornecedores chineses, mas também mais incerteza para quem ainda não tem.
O que muda para o piloto brasileiro
Nada muda na prática imediata para quem compra ou voa DJI no Brasil: a ANAC e a DECEA não seguem a Covered List da FCC, e a regra americana regula apenas homologação de equipamento nos Estados Unidos. Drones DJI continuam sendo importados, vendidos e voando normalmente por aqui — inclusive os modelos que você encontra em lojas autorizadas no país.
O reflexo indireto, porém, é o mesmo que já vínhamos acompanhando desde dezembro de 2025: ao perder terreno no maior mercado de consumo do planeta, a DJI tem menos musculatura financeira e menos incentivo para priorizar atualizações de firmware, peças de reposição e suporte em mercados secundários como o Brasil. Além disso, como a nova regra também afeta fabricantes americanos que dependiam de componentes chineses baratos, o efeito colateral pode ser um encarecimento de alternativas "Made in USA" no mercado global — o que tende a manter a DJI como opção dominante e sem grande pressão competitiva por preço também por aqui. Quem depende profissionalmente de equipamento DJI para inspeção, mapeamento ou agricultura deve tratar o caso como um indicador de médio prazo a acompanhar, não como motivo para trocar de fabricante agora — a regulamentação brasileira de drones segue seu próprio caminho, independente do que a FCC decide.
FAQ
Leia também: DJI É Proibida nos EUA? Situação Completa em 2026 | Onde Comprar DJI no Brasil: Lojas Autorizadas
Fontes: DroneXL — FCC Bars DJI, Logic-Bearing Components From Drones (13/out) | DroneXL — FCC Targets DJI Chips as Amazon Drones Swarm a Texas Suburb | FCC — Covered List
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