FCC dos EUA Quer Banir Drones Militares da DJI e Autel

A Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) propôs, em 21 de julho de 2026, banir a importação, comercialização e venda de drones "de grau militar" fabricados no exterior — a maioria de origem chinesa. A regra mira especificamente aeronaves com capacidade de voo em enxame, câmeras térmicas de alta resolução, sensor LiDAR e peso igual ou superior a 25 kg, citando nominalmente a DJI e a Autel Robotics como fabricantes afetados.
Contexto: a escalada regulatória contra drones chineses
A proposta não nasce isolada. Em dezembro de 2025, a FCC já havia incluído a DJI e a Autel na chamada "covered list" — a lista de equipamentos considerados ameaça à segurança nacional dos EUA —, o que bloqueou a homologação de novos modelos e componentes-chave dessas fabricantes no país, como o PickDrones já cobriu na época. Produtos já homologados continuaram à venda normalmente, e uma isenção temporária permitiu a importação de componentes fabricados fora da China.
A nova proposta de julho de 2026 amplia esse cerco. Em vez de mirar fabricantes específicos, a FCC classifica categorias inteiras de equipamento como de "grau militar" — independentemente da marca — e propõe barrar a entrada delas nos EUA. A lógica é a mesma usada em 2022, quando a agência baniu equipamentos de telecomunicações e videovigilância da Huawei e da ZTE por motivos de segurança nacional.
A DJI, maior fabricante de drones do mundo, entrou com uma ação judicial em fevereiro de 2026 contestando o banimento de dezembro. O caso segue em tramitação nos tribunais americanos enquanto a nova proposta avança em paralelo.
O que a nova regra da FCC proíbe
Segundo o texto divulgado pela agência, ficam sujeitas ao banimento de importação as seguintes categorias de drone:
| Categoria | Descrição |
|---|---|
| Enxame (swarming) | Drones capazes de operar coordenados em grupo, sem piloto individual por unidade |
| Câmera térmica | Sensores infravermelhos de imagem térmica de alta resolução |
| LiDAR | Sensoriamento a laser para mapeamento tridimensional de precisão |
| Estações de doca | Docking stations para pouso, recarga e operação autônoma recorrente |
| Pulverização | Drones agrícolas que aplicam produtos sob regras da FAA |
| Peso elevado | Qualquer drone com 25 kg (55 lb) ou mais |
A justificativa oficial é de segurança nacional. Segundo a FCC, drones com capacidade de enxame "podem sobrecarregar defesas, fornecer vigilância persistente e criar desafios operacionais complexos que sobrecarregam sistemas tradicionais de defesa aérea", representando risco à segurança pública e à infraestrutura crítica.
Drones fora dessas categorias — a maioria dos modelos de consumo, como as linhas Mini e Air — não são atingidos por esta proposta específica, embora já estejam sob outras restrições da lista de dezembro de 2025. A isenção para componentes fabricados fora da China, criada em dezembro, foi estendida até janeiro de 2028. O texto está aberto a comentário público por 30 dias após a publicação no Federal Register, antes de uma decisão final.
DJI e Autel no centro da disputa
A FCC nomeia diretamente a DJI e a Autel Robotics como as fabricantes cujos produtos mais se enquadram nas categorias descritas — não por coincidência, já que as duas concentram a maior parte da produção mundial de drones agrícolas pesados, drones térmicos para inspeção e segurança pública, e equipamentos com LiDAR para mapeamento. Praticamente todo o catálogo profissional das duas empresas, do guia completo de drones DJI às linhas Matrice e Agras, contém pelo menos um modelo enquadrável em alguma das seis categorias.
Para o mercado americano, o efeito prático é a consolidação de um cerco que já dura mais de sete meses: primeiro vieram as restrições a novos modelos de consumo e componentes, agora vem a tentativa de banir de vez toda a linha profissional de maior porte. Fabricantes americanas e europeias, que não produzem em escala equivalente à chinesa nessas categorias, tendem a ser as principais beneficiadas caso a regra avance.
O que muda para o piloto brasileiro
A proposta da FCC é uma medida americana e não tem efeito direto sobre a venda ou o uso de drones no Brasil — a regulamentação aqui segue caminho próprio, definido pela ANAC e pelo DECEA, sem qualquer vínculo automático com decisões da agência americana. Um drone Agras ou Matrice comprado e homologado no Brasil continua legal para operar normalmente, independentemente do que a FCC decidir sobre importações nos EUA.
Ainda assim, o piloto e o produtor brasileiro que dependem de equipamento chinês têm motivo para acompanhar o caso de perto. As categorias visadas pela FCC são exatamente as mais usadas no agronegócio e na inspeção profissional brasileiros: drones de pulverização acima de 25 kg, como os da linha Agras — tema do guia de drone agrícola no Brasil —, e drones com câmera térmica usados em monitoramento de plantio, busca e resgate e segurança pública. Se a DJI e a Autel precisarem redesenhar produtos, redirecionar produção ou disputar essas categorias na Justiça americana por anos, o investimento em atualização de firmware, suporte e lançamento de novos modelos para essas linhas pode desacelerar globalmente — inclusive para quem compra no Brasil, ainda que a venda por aqui permaneça liberada.
Vale lembrar também que o Brasil não tem, hoje, um processo equivalente de triagem de segurança para equipamento chinês: a fiscalização da Anatel e da ANAC foca em homologação técnica e em regras de voo (como a exigência de autorização via SARPAS desde julho de 2026), não em origem do fabricante. Isso mantém o mercado brasileiro aberto à DJI e à Autel mesmo se o cerco americano se intensificar — mas também significa que qualquer mudança de estratégia comercial das duas fabricantes, motivada pela pressão nos EUA, chega ao Brasil sem aviso prévio de uma agência local equivalente à FCC.
FAQ
Fontes: Al Jazeera | DroneXL
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