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EUA: tarifa de drones sobe a 100% a partir de setembro

6 min de leituraLucas Buzzo
EUA: tarifa de drones sobe a 100% a partir de setembro
Também disponível em inglês

O presidente Donald Trump assinou, em 13 de agosto de 2026, uma proclamação que impõe tarifas de até 100% sobre drones e componentes importados pelos Estados Unidos, citando risco à segurança nacional. As novas alíquotas — baseadas na Seção 232, mesma lei usada nas tarifas de aço e alumínio do primeiro mandato de Trump — entram em vigor em etapas a partir de 3 de setembro de 2026.


Contexto: a terceira ação dos EUA contra drones chineses em um mês

Esta é a terceira grande medida regulatória americana contra drones em menos de 30 dias — e a primeira a pesar diretamente no bolso de quem compra, em vez de apenas restringir equipamentos específicos.

Em julho, a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) propôs banir a importação de drones "de grau militar", citando nominalmente a DJI e a Autel Robotics e mirando aeronaves com câmera térmica, sensor LiDAR, capacidade de enxame e peso igual ou superior a 25 kg — o mesmo limite de peso que agora é central nas novas tarifas. A China revidou em 5 de agosto, endurecendo o controle de exportação de drones e peças para os EUA, exigindo análise caso a caso para itens já presentes na sua lista de controle de uso duplo.

A proclamação de 13 de agosto abre uma terceira frente jurídica: uma investigação da Seção 232 do Departamento de Comércio dos EUA, que permite ao presidente aplicar tarifas — não banimentos de homologação — quando uma importação é considerada ameaça à segurança nacional. Diferente das outras duas medidas, ela não substitui a lista de restrições da FCC nem a proposta de banimento de importação: soma uma camada de custo em cima delas.

A Seção 232 é a mesma base legal que Trump usou em 2018 para tarifar aço e alumínio importado. Ela exige que o Departamento de Comércio conclua formalmente que uma importação ameaça a segurança nacional antes que o presidente possa agir — um processo que costuma levar meses de investigação.


Como ficam as alíquotas por categoria

A proclamação divide os drones em faixas por peso e capacidade técnica, com taxas reduzidas reservadas a aliados próximos dos EUA.

CategoriaTarifaAplica-se a
Drones "sensíveis"100%Drones com peso máximo de decolagem acima de 25 kg, ou equipados com câmera térmica, além de estações de recarga (docks) e componentes críticos
Drones padrão25%Drones menores, sem essas capacidades, e demais componentes
UE, Japão, Liechtenstein, Coreia do Sul, Suíça, Taiwan15%Drones e peças substancialmente fabricados nesses países
Reino Unido10%Drones britânicos que cumpram exigência de fabricação local

A China não aparece na lista de países com alíquota reduzida. Como a DJI e a Autel — as duas maiores fornecedoras de drones de consumo e uso profissional vendidos nos EUA — fabricam a esmagadora maioria do hardware na China, suas importações caem nas faixas cheias de 100% ou 25%, sem acesso ao desconto concedido a aliados.

A Casa Branca justifica a medida como forma de reduzir a dependência americana de sistemas aéreos não tripulados estrangeiros, afirmando que drones são "uma tecnologia-chave em conflitos armados modernos" e que depender de componentes fabricados no exterior "gera riscos significativos à segurança nacional e cria vulnerabilidades de cibersegurança".


Cronograma: quando as tarifas entram em vigor

  • 3 de setembro de 2026 (21 dias após a assinatura): entram em vigor as alíquotas principais para drones e seus componentes críticos listados.
  • 9 de fevereiro de 2027 (180 dias após a assinatura): as tarifas se estendem a componentes não sensíveis e a produtos que tinham isenção do Departamento de Guerra ou da FCC.

Esse escalonamento dá às importadoras uma janela curta para trazer estoque a preço pré-tarifa. Vale notar que tanto a proclamação de tarifas quanto a proposta de banimento da FCC usam o mesmo critério de 25 kg / câmera térmica para definir o que é um drone "sensível", mesmo vindo de agências e bases legais diferentes.


O que muda para o piloto brasileiro

Para quem voa e compra drone no Brasil, o impacto direto é limitado: a cadeia de importação brasileira não passa pelos Estados Unidos — a DJI vende ao país via distribuidores autorizados que importam diretamente da China, como mostra o guia de onde comprar DJI no Brasil. A tarifa americana, por si só, não altera o preço de tabela de um Mini 4 Pro ou de um Agras vendido aqui.

Ainda assim, há três pontos de atenção. Primeiro, quem compra drone em viagem aos EUA — prática comum entre pilotos e criadores de conteúdo que aproveitam o câmbio para levar equipamento — vai pagar mais caro a partir de 3 de setembro, já que a tarifa incide sobre o preço de venda no varejo americano. Segundo, fabricantes que perdem margem no mercado americano tendem a reajustar preços globalmente para compensar a perda, o que pode pressionar também o mercado brasileiro nos próximos meses — efeito que vale acompanhar em quem já pesquisa o guia completo de drones DJI antes de comprar. Terceiro, e mais estratégico: a escalada entre EUA e China em torno da DJI e da Autel é um sinal de que a discussão sobre dependência de drones chineses pode chegar a outros países — inclusive ao Brasil, hoje o segundo maior mercado de drones das Américas, atrás apenas dos próprios EUA.

Por ora, a ANAC e a Anatel não sinalizaram qualquer medida equivalente contra fabricantes chineses. Mas o precedente americano — tarifa e banimento de importação caminhando juntos — é o tipo de política que reguladores de outros mercados costumam observar de perto antes de decidir se replicam algo parecido.



Fontes: Casa Branca | ABC News