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DJI supera Blue UAS em teste, mas DHS escondeu as notas

6 min de leituraLucas Buzzo
DJI supera Blue UAS em teste, mas DHS escondeu as notas
Também disponível em inglês

O Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS) testou dois drones da DJI ao lado de aeronaves aprovadas pela lista Blue UAS em um ambiente urbano complexo de Nova York — e a DJI pontuou mais alto nos nove critérios avaliados. Esse resultado nunca apareceu no relatório público do DHS. Um adendo de uso interno, obtido e publicado pelo site DroneXL em 2 de outubro de 2026, mostra a DJI Matrice 4T com nota 4,6 de 5 e a Matrice 30T com 4,3, contra uma nota máxima de 3,7 entre os drones da lista aprovada pelo governo americano.


Contexto: o que é a lista Blue UAS

A Blue UAS é uma lista gerenciada pelo Pentágono de drones liberados para compra pelo governo dos Estados Unidos após passarem por uma revisão de cibersegurança. Fabricantes chineses, incluindo a DJI, são automaticamente excluídos da lista por regras da Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA) que tratam a origem do fabricante como "nação coberta" — independentemente do desempenho técnico do equipamento. É a mesma lógica por trás das restrições da FCC a componentes chineses em drones comercializados nos EUA, tema que já tratamos aqui no PickDrones.

O teste foi conduzido pelo National Urban Security Technology Laboratory (NUSTL), braço do DHS que avalia drones para equipes de resgate e corporações de segurança em condições urbanas adversas — interferência de GPS, congestionamento de radiofrequência e prédios altos que bloqueiam o sinal de satélite. O laboratório escolheu o bairro de Hudson Yards, em Manhattan, justamente por ser hostil à navegação de drones.


Os números que o DHS não publicou

O relatório público do DHS reconheceu que drones de "nações cobertas" foram testados e que houve "diferenças significativas" em relação à frota Blue UAS — sem dizer quais eram essas diferenças nem em que direção apontavam. O adendo obtido pela DroneXL completa a lacuna:

DroneNota geralObservações
DJI Matrice 4T4,6 / 54,9 em câmera, sensor térmico e comando/controle
DJI Matrice 30T4,3 / 5Perdeu posicionamento uma vez durante teste noturno
Skydio X10D (melhor da Blue UAS)3,7 / 5Drone aprovado com melhor desempenho
Parrot Anafi USA Gov2,4 / 5Drone aprovado com pior desempenho

Três dos seis drones da lista Blue UAS testados não conseguiram manter posição no "cânion urbano" formado pelos prédios, um sofreu um voo descontrolado (flyaway) e outro ficou até 15 minutos sem conseguir parear com o controle, segundo o relatório público. Entre os drones da DJI, a Matrice 30T perdeu o posicionamento por satélite e visual durante a noite e colidiu com uma estrutura, sofrendo avarias — ainda assim, o adendo manteve a nota 4,3 com base no desempenho nos demais critérios.

O preço também entra na conta: uma Matrice 4T custa cerca de US$ 12.958 (aproximadamente R$ 70 mil) e uma Matrice 30T, US$ 18.608 (cerca de R$ 100 mil), contra US$ 28.382 (por volta de R$ 153 mil) pela Skydio X10D, a melhor colocada entre as aprovadas.


Por que o DHS escondeu as notas

A própria linguagem do adendo é reveladora: a desvantagem atribuída à DJI foi justificada por "preocupações de cibersegurança associadas à fabricação em uma nação coberta" — não por falhas operacionais. Em outras palavras, o DHS não contesta que os drones da Matrice voaram melhor; o órgão argumenta que o risco de segurança supera o ganho de desempenho, uma decisão que agências podem tomar, mas que não foi explicada ao público nem às corporações que usam o relatório para escolher equipamento.

Isso importa porque o programa Blue UAS é divulgado como uma lista validada por desempenho, não só por segurança. Omitir a comparação dificulta que corpos de bombeiros, unidades policiais de "drone como primeiro respondente" (DFR) e equipes de busca e salvamento entendam exatamente qual troca estão fazendo ao comprar da lista aprovada em vez de um drone da DJI mais barato e com nota mais alta — algo que, nos EUA, essas agências ainda podem fazer livremente, a menos que a lei estadual ou local diga o contrário, já que a restrição da Blue UAS vale para compras federais, não para a maioria das compras locais.

A Drone Service Providers Alliance (DSPA), entidade que representa operadores comerciais de drones nos EUA, está usando o adendo vazado para escalar a pressão sobre o Congresso americano. O CEO da entidade, Vic Moss, pede que uma única agência teste o protocolo de segurança de todos os fabricantes — DJI incluída — com a mesma metodologia aplicada aos testes de desempenho, em vez de excluir uma marca pela origem antes mesmo de coletar os dados.


O que muda para o piloto brasileiro

No Brasil, a DJI é a marca dominante entre pilotos profissionais e recreativos, e a Blue UAS não tem efeito prático aqui: a lista regula apenas compras do governo americano. Mas o caso reforça um padrão que já afeta o mercado brasileiro de forma indireta — quanto mais a disputa política em torno da DJI se intensifica nos EUA, maior a pressão sobre a cadeia de suprimentos, preços e disponibilidade de peças que também chegam ao Brasil, como mostramos na cobertura da recente restrição da FCC a componentes DJI e Autel.

Para quem avalia comprar ou já opera equipamento DJI por aqui, o episódio é mais um dado a favor da tese de que a restrição nos EUA é motivada por geopolítica, não por desempenho comprovado em campo — o que tende a manter a DJI como referência técnica mesmo em meio às disputas regulatórias. Quem quiser entender o panorama completo da situação da marca nos Estados Unidos pode consultar nosso guia sobre se a DJI está banida nos EUA; para escolher entre os modelos da marca vendidos oficialmente no Brasil, veja nosso guia completo de drones DJI.



Fontes: DroneXL | DroneXL — apelo da DSPA ao Congresso