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Drones Monitoram Eleições 2026 pela 1ª Vez no Brasil

5 min de leituraLucas Buzzo
Drones Monitoram Eleições 2026 pela 1ª Vez no Brasil

Policiais militares usaram drones pela primeira vez para monitorar locais de votação em todo o Brasil no primeiro turno das eleições de 2026, realizado no domingo (4 de outubro). No Distrito Federal, a PMDF cobriu as 614 seções eleitorais com imagens em tempo real; Pernambuco planejou mais de 100 voos com 72 policiais-piloto, e a Bahia reforçou o esquema com helicópteros e mais de 2,5 mil veículos.


Por que a polícia usou drones nas eleições pela primeira vez

A decisão de incorporar drones à segurança eleitoral reflete duas pressões crescentes sobre as forças de segurança brasileiras: o aumento de queixas-crime e tentativas de fraude em seções eleitorais isoladas, e a disponibilidade cada vez maior de equipamentos de vigilância aérea nas corporações estaduais. Com ANAC e DECEA regulamentando as operações não tripuladas de forma mais clara nos últimos anos, departamentos de aviação operacional das polícias militares passaram a ter tanto o equipamento quanto o respaldo normativo para empregar RPAs (aeronaves remotamente pilotadas) em grande escala num evento único e nacional.

O resultado é uma mudança de escala: em vez de drones isolados em operações pontuais, como buscas por fugitivos ou flagrantes de tráfico, o pleito de outubro de 2026 marcou o primeiro uso coordenado e simultâneo da tecnologia em múltiplos estados no mesmo dia.


Como cada estado empregou os drones

Distrito Federal. O Batalhão de Aviação Operacional (Bavop) da PMDF iniciou a vigilância por drone na sexta-feira anterior ao pleito, logo após a distribuição das urnas eletrônicas às escolas. Os equipamentos sobrevoaram as 614 seções de votação do DF, enviando imagens para o sistema de videomonitoramento DF360. Segundo o major Rafael Broocke, porta-voz da PMDF, "com a finalização da entrega das urnas a todos os locais de votação, iniciamos o monitoramento desses locais com drones". A operação integrada, descrita pelo secretário Alexandre Patury, somou seis meses de preparação, uma célula de inteligência com 22 órgãos e a geolocalização de todas as 614 seções, além de câmeras escolares conectadas ao DF360.

Pernambuco. A PMPE batizou a iniciativa de Operação Drone/PMPE, com mais de 100 voos previstos e cerca de 360 decolagens de equipamentos ao longo do primeiro turno. Setenta e dois policiais treinados atuaram como pilotos, distribuídos em 21 equipes — 20 cobrindo Recife, a Região Metropolitana e municípios do interior, e uma dedicada à coordenação central. Um centro de comando fixo na sede da corporação recebia as imagens em tempo real, complementado por um centro móvel autônomo de transmissão de vídeo.

Bahia. A SSP-BA ativou o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) para a Operação Eleições 2026, somando helicópteros do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar, drones, mais de 2,5 mil veículos (incluindo caminhões e embarcações) e cerca de 34 mil profissionais entre policiais, peritos e bombeiros. O estado também contou com mais de 4 mil câmeras de monitoramento, cerca de mil delas equipadas com reconhecimento facial e de placas.

EstadoÓrgãoDrones/voosPessoal
Distrito FederalPMDF (Bavop)Cobertura de 614 seções~5.000 policiais no efetivo geral
PernambucoPMPE100+ voos, ~360 decolagens72 pilotos, 21 equipes
BahiaSSP-BADrones + helicópteros~34.000 profissionais

Fontes: Metrópoles, PE Notícias, Bahia Econômica.


O que muda para o piloto brasileiro

A vigilância eleitoral por drone não cria uma nova categoria de restrição de voo, mas reforça regras que já existem e que todo piloto civil deve conhecer antes de operar perto de locais públicos sensíveis. Escolas usadas como seções eleitorais não ganham automaticamente uma zona proibida para voo de drone no dia da eleição, mas um drone civil sobrevoando um colégio eleitoral tende a atrair atenção imediata das equipes de segurança que já estão monitorando o espaço aéreo local — como ficou claro nos relatos de drones desviando voos ou gerando alarme em aeroportos em 2026.

Na prática, isso significa:

  • Evite voar perto de seções eleitorais em dias de votação, mesmo sem proibição formal — o risco de abordagem policial é real quando há monitoramento ativo por drones e câmeras na região.
  • Cadastro e identificação continuam obrigatórios. As regras gerais de registro no SISANT e as normas da ANAC e do DECEA não mudam por causa das eleições, mas fiscalização tende a ser mais rigorosa em período eleitoral.
  • Imprensa e produtoras que planejam cobrir atos de candidatos ou a apuração com drones devem solicitar autorização de voo via SARPAS com antecedência redobrada, já que o espaço aéreo sobre grandes concentrações de pessoas costuma ter restrições pontuais da DECEA.

Com o segundo turno previsto para 25 de outubro caso nenhum candidato alcance maioria absoluta na disputa presidencial ou estadual, a tendência é que PMDF, PMPE e SSP-BA repliquem — e possivelmente ampliem — o mesmo esquema de vigilância aérea.



Fontes: Metrópoles | PE Notícias | Bahia Econômica