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Copa do Mundo 2026: FAA já apreendeu +500 drones nos EUA
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Copa do Mundo 2026: FAA já apreendeu +500 drones nos EUA

Lucas Buzzo 6 min de leitura
Também disponível em inglês
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A FAA (agência de aviação civil dos EUA) e o FBI já apreenderam mais de 500 drones de operadores não autorizados voando perto dos estádios e eventos da Copa do Mundo 2026 desde o início dos jogos, em 11 de junho de 2026. Quem viola as zonas de exclusão aérea das 11 sedes americanas enfrenta multa civil de até US$ 75 mil, multa criminal de até US$ 100 mil, apreensão do equipamento e prisão federal.

Os números, divulgados pela CNN em 1º de julho de 2026, marcam a maior operação coordenada de repressão a drones já feita ao redor de um evento esportivo único nos Estados Unidos. Um caso em Houston já mostra até onde a FAA e o Departamento de Justiça americano estão dispostos a ir: um homem de 26 anos segue detido depois de pilotar um DJI Mavic 3 sem registro perto de um evento da Copa no dia da abertura do torneio.

Para o torcedor brasileiro que vai aos Estados Unidos assistir à Seleção, o alerta é direto: levar o drone na mala para registrar a viagem pode terminar em detenção, não em vídeo para as redes sociais.


Por que existem zonas de exclusão aérea na Copa do Mundo

A Copa do Mundo 2026 é disputada em 11 estádios espalhados pelos Estados Unidos, do SoFi Stadium em Los Angeles ao MetLife Stadium em Nova Jersey, com jogos até julho. Em 28 de maio de 2026, a FAA formalizou as "No Drone Zones" ao redor de cada estádio, festival de torcedores e base de treinamento das seleções, valendo durante toda a competição.

Uma TFR (Temporary Flight Restriction, ou Restrição Temporária de Voo) é um trecho de espaço aéreo que a FAA fecha por tempo limitado, normalmente por motivos de segurança — o mesmo mecanismo usado em visitas presidenciais e grandes incêndios florestais. O que diferencia as TFRs da Copa é a escala: 11 estádios, dezenas de eventos de torcida e hotéis das seleções cobertos ao mesmo tempo, por semanas seguidas, apoiados por uma iniciativa de fiscalização batizada de DETER (Drone Expedited and Targeted Enforcement Response). O DETER combina a autoridade aérea da FAA com o Departamento de Segurança Interna e o Departamento de Justiça dos EUA, dando respaldo legal para agentes em campo apreenderem drones e encaminharem pilotos direto para processo federal, sem aviso prévio.

"Operadores de drone devem esperar ação rápida caso violem o espaço aéreo restrito", disse o administrador da FAA, Bryan Bedford, ao anunciar as zonas.


As zonas de exclusão em números

As restrições variam conforme o drone esteja perto de um estádio em dia de jogo ou perto de um evento de torcida que dura semanas.

Tipo de zonaRaioTeto de altitudeDuração
Estádio (dia de jogo)5,5 km (3 milhas náuticas)914 m (3.000 pés)Apenas em dias de partida
Evento/festival de torcedores1,8 km (1 milha náutica)305 m (1.000 pés)De 5 a mais de 40 dias, varia por cidade
Hotéis e bases das seleçõesEspecífico por localEspecífico por localDuração da estadia da equipe

Desde a abertura do torneio, a contagem de apreensões do FBI por cidade concentra-se nos mercados costeiros e do sul dos EUA, segundo o levantamento da CNN de 1º de julho:

CidadeDrones apreendidos
Miami98
Atlanta77
Dallas63
Los Angeles48
Nova York40
Houston33
Seattle29
Newark9

Kansas City mostra como um único evento pode gerar fiscalização pesada: só no dia 16 de junho de 2026, uma operação conjunta do Federal Air Marshal Service, do escritório do FBI em Kansas City e da polícia local apreendeu 8 drones e emitiu 2 notificações de violação ao redor do Arrowhead Stadium e do FIFA Fan Festival.


O que acontece com quem é flagrado

O caso de Houston, detalhado em um processo criminal aberto na Justiça Federal do Distrito Sul do Texas, mostra como as penalidades funcionam na prática. John Alexander Meza, de 26 anos, morador de La Porte, no Texas, pilotou um DJI Mavic 3 perto de uma igreja dentro do espaço aéreo restrito em 11 de junho de 2026 — dia de abertura do torneio. O voo durou dois minutos e chegou a pouco mais de 60 metros de altura. Meza não tinha certificado de piloto remoto, não checou se havia restrição de voo ativa e o drone não estava registrado na FAA. Ele foi preso e, no início de julho, seguia sob custódia migratória.

O caso de Meza é um entre centenas em todo o país. Nas TFRs da Copa, uma violação pode gerar multa civil de até US$ 75 mil por infração, multa criminal de até US$ 100 mil, até três anos de prisão federal, apreensão imediata do drone e cassação do certificado de piloto remoto. Equipes do FBI em campo usam equipamentos contra drones (C-UAS, contra sistemas aéreos não tripulados) para detectar e, quando autorizado, interceptar fisicamente aeronaves não autorizadas antes que cheguem ao espaço restrito.


O que muda para o piloto brasileiro

Se você é brasileiro e vai viajar para os Estados Unidos para acompanhar a Seleção na Copa, as regras da FAA valem para qualquer piloto em solo americano, seja turista ou não. Antes de embarcar com o drone, é preciso registrar o equipamento na FAADroneZone, o portal oficial da FAA, e passar pelo teste online TRUST (The Recreational UAS Safety Test), obrigatório mesmo para voo recreativo e gratuito para qualquer nacionalidade. Sem esse registro, qualquer voo já é ilegal, mesmo longe de um estádio.

Perto das 11 sedes da Copa, a recomendação é não decolar de forma alguma dentro do raio de exclusão, mesmo que a distância pareça segura a olho nu — as zonas de festival de torcedores e hotéis das seleções mudam de local semana a semana e nem sempre são óbvias vistas do chão. Antes de qualquer voo nos EUA, o app B4UFLY, da própria FAA, mostra em tempo real se a área está liberada.

Vale lembrar que essa fiscalização é específica dos Estados Unidos e não altera as regras do SARPAS ou do SISANT no Brasil — mas o caso serve de aviso para quem pretende levar o drone na bagagem: as regras de transporte de bateria LiPo e as exigências de cada companhia aérea estão detalhadas no nosso guia de como viajar com drone no avião. Para o torcedor que só quer registrar a viagem, o mais seguro é fotografar e filmar com o celular dentro das zonas restritas e reservar o drone para fora do perímetro de exclusão, com o aplicativo B4UFLY confirmando que a área está liberada.



Fontes: CNN via KRDO | FAA Newsroom | TSA

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