Radar do Exército detecta drones a 8 km em teste 2026

O Exército Brasileiro testou, entre 27 de julho e 5 de agosto de 2026, um pacote de radares, bloqueadores de sinal e armas antiaéreas contra drones no Campo de Instrução de Formosa (GO). O destaque foi o radar nacional SABER M200 Vigilante, que detectou microdrones da categoria 0 a distâncias de até 8 km durante o exercício Sagitta Primus 2026, considerado o maior treinamento de defesa aérea da América Latina.
Contexto
O Sagitta Primus 2026 reuniu mais de 500 militares de 23 organizações do Exército, com apoio de equipamentos e pessoal da Força Aérea Brasileira, sob comando do Comando de Defesa Antiaérea. Pela primeira vez na história da série de exercícios, uma seção inteira foi dedicada exclusivamente à detecção, ao bloqueio e à neutralização de SARP (Sistema Aéreo Remotamente Pilotado) — a sigla oficial que as Forças Armadas usam para o que o público chama de drone.
A motivação é o mesmo cenário que já preocupa o Exército desde o plano de R$ 456 bilhões para defesa antiaérea apresentado ao governo em março de 2026: ataques recentes no Oriente Médio e no Leste Europeu mostraram que enxames de drones baratos conseguem saturar defesas antiaéreas tradicionais, caras e limitadas em munição. No Brasil, o problema já tem um componente interno — facções criminosas usam drones para monitorar policiais e transportar drogas e armas para presídios, o que reforça a urgência de doutrina e equipamento nacionais para lidar com a ameaça.
O que o radar SABER M200 Vigilante detectou
Desenvolvido pelo Centro Tecnológico do Exército (CTEx) e ainda em avaliação no Centro de Avaliações do Exército (CAEx), o SABER M200 Vigilante tem alcance máximo de cerca de 200 km contra alvos convencionais, como aeronaves e mísseis. O desafio dos drones pequenos é outro: eles refletem pouco sinal eletromagnético, o que historicamente dificulta a detecção por radares de defesa aérea tradicionais.
No Sagitta Primus 2026, o radar comprovou capacidade de identificar SARP categoria 0 — aeronaves não tripuladas de até 2 kg, com autonomia de voo inferior a uma hora e assinatura de radar reduzida — a distâncias de até 8 km. É essa faixa de peso que cobre a maioria dos drones recreativos e comerciais vendidos no Brasil, o que torna o resultado tecnicamente relevante para qualquer discussão sobre segurança de espaço aéreo em eventos, fronteiras e instalações sensíveis.
| Sistema | Fabricante/origem | Função no exercício | Alcance ou capacidade |
|---|---|---|---|
| Radar SABER M200 Vigilante | CTEx (Brasil) | Detecção de SARP categoria 0 | Até 8 km (drones); ~200 km (alvos convencionais) |
| Radar SABER M60 | CTEx (Brasil) | Vigilância aérea complementar | Integrado à rede de sensores do exercício |
| Bloqueador SCE 0100 | IACIT (Brasil) | Jamming de frequência de controle | Interferência eletrônica direcionada |
| Bloqueador SCJ 2000M | AICOX (Espanha) | Jamming de frequência de controle | Interferência eletrônica direcionada |
| Canhão autopropulsado Gepard | Alemanha (em uso pelo Exército) | Engajamento cinético contra alvos aéreos | Tiro direto contra drones e alvos rápidos |
O CTEx já tem dois contratos firmados para o programa: um de R$ 102 milhões, fechado em dezembro de 2024, para entrega de uma unidade do SABER M200 Vigilante em configuração de produção, e outro de R$ 147 milhões para desenvolver a variante SABER M200 Multimissão.
Armas, jamming e drones interceptadores
Além da detecção por radar, o exercício testou a cadeia completa de resposta a uma ameaça aérea não tripulada. Torres de identificação de sinal e "fuzis" de interceptação de radiofrequência permitiram às equipes localizar drones pela emissão de rádio antes mesmo do engajamento visual. Os bloqueadores SCE 0100 (da empresa brasileira IACIT) e SCJ 2000M (da espanhola AICOX), operados por pessoal do 1º Batalhão de Guerra Eletrônica, tentaram interromper o sinal de controle dos alvos.
Quando o bloqueio eletrônico não é suficiente — e o jamming não funciona contra todo tipo de drone —, entra a resposta cinética: viaturas blindadas Guarani dispararam canhões autopropulsados Gepard e metralhadoras calibre .50 contra alvos aéreos. A indústria de defesa também apresentou aos militares uma novidade: drones interceptadores, pequenas aeronaves não tripuladas projetadas para colidir fisicamente com um drone hostil e derrubá-lo, sem usar munição convencional.
Esse arsenal em camadas — detecção por radar, localização por radiofrequência, jamming e, por fim, abate físico — é o mesmo tipo de resposta escalonada que o Projeto de Lei 5.646/2025, aprovado na Comissão de Infraestrutura do Senado em abril, busca autorizar formalmente para as forças de segurança brasileiras diante de drones considerados ameaça.
O que muda para o piloto brasileiro
Para quem pilota drones de forma legal e cadastrada no Brasil, o Sagitta Primus 2026 não altera nenhuma regra de voo, cadastro no SISANT ou autorização no SARPAS. O exercício é uma resposta a ameaças — criminosas ou militares — e não uma nova exigência sobre o piloto recreativo, imobiliário ou agrícola que já opera dentro das normas da regulamentação de drones no Brasil, que desde 2026 classifica as operações por nível de risco em vez de apenas pelo peso do equipamento.
O ponto de atenção prático é outro: o Brasil está construindo, pela primeira vez, capacidade real de detectar e neutralizar drones não autorizados perto de áreas sensíveis — bases militares, presídios, eventos de grande público e infraestrutura crítica. Um voo dentro dessas zonas, mesmo que por engano, tem hoje mais chance de ser detectado por um radar como o SABER M200 do que tinha há poucos anos. Reforça-se, assim, a importância de checar restrições de espaço aéreo antes de qualquer decolagem — sobretudo perto de instalações militares e presídios, onde a tolerância a incursões não autorizadas é praticamente zero.
FAQ
Fontes: Agência Gov | Tecnodefesa | Rio Times
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