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Drone policial armado: Taurus revela TAS na COP 2026

5 min de leituraLucas Buzzo
Drone policial armado: Taurus revela TAS na COP 2026

A fabricante brasileira Taurus apresentou o TAS (Tactical Air Soldier), um drone armado voltado a operações policiais e militares, na COP Internacional 2026, feira de segurança pública realizada de 11 a 13 de agosto no São Paulo Expo. O evento, que reuniu mais de 100 expositores e a expectativa de 25 mil visitantes, também exibiu sistemas antidrone da Dedrone e viaturas com drones integrados da Raytec — resposta direta à escalada de ataques com drone por facções criminosas no Brasil.


Por que a COP Internacional importa para o mercado de drones

A COP Internacional se consolidou como o principal evento de segurança pública e defesa da América Latina, segundo o InfoDefensa, com mais de 25 mil visitantes esperados em 2026, ante 20 mil na edição anterior. A feira reuniu forças policiais, Forças Armadas e defesa civil de todo o país para avaliar equipamentos que devem entrar em operação nos próximos anos.

Drones e sistemas antidrone — tecnologias dedicadas a detectar, rastrear e neutralizar aeronaves não tripuladas não autorizadas — dominaram boa parte dos estandes. A combinação não é coincidência: o mesmo mês registrou um levantamento da Foreign Policy apontando ao menos oito ataques de facções brasileiras com drones-granada, o que empurrou fabricantes e forças de segurança a acelerar respostas tanto ofensivas quanto defensivas.


O TAS: drone-fuzil com mira a laser e IA para identificar alvos

O TAS é apresentado em duas configurações. A versão policial vem armada com uma submetralhadora RPC de 9×19mm; a versão militar aceita um fuzil T4 de 5,56mm ou um T10 de 7,62mm, com lançador de granadas de 40mm como opcional. O sistema reúne um módulo que conecta a arma ao drone, controle de tiro, câmera 4K estabilizada em três eixos, controle remoto com transmissão de imagem em tempo real, sensor de distância a laser para navegação e inteligência artificial para identificação de alvos.

Segundo a Taurus, o TAS pode substituir helicópteros em operações de progressão tática, reduzindo a exposição de policiais e tripulações aéreas em confrontos urbanos. A fabricante também mostrou na feira um interceptador cinético — drone de quatro minutos de autonomia e até 250 km/h de velocidade, projetado para abater outros drones em voo — e um veículo terrestre não tripulado (UGV) com IA para logística, desminagem e reconhecimento.

A fabricação do TAS ocorrerá no Brasil, fruto de uma parceria técnica e industrial com a turca Otokar, cujo memorando de entendimento foi assinado durante a feira Eurosatory 2026, em Paris. É a mesma linha de aproximação já sinalizada em fevereiro de 2026, quando a empresa firmou protocolo com a Marinha para estudar drones armados destinados aos Fuzileiros Navais.


Antidrones: a resposta da indústria aos ataques de facções

Ao lado das armas, a feira dedicou espaço à detecção. A Dedrone apresentou tecnologia de identificação, rastreamento e neutralização de drones não autorizados, integrada ao ecossistema da Axon. A Raytec, por sua vez, mostrou viaturas policiais 4x4 equipadas com drones de diferentes portes já embarcados, voltadas a busca e resgate, defesa civil, combate ao narcotráfico e vigilância de área — incluindo um veículo com módulo de combate a incêndio.

O movimento acompanha episódios recentes que expuseram lacunas na resposta brasileira a drones criminosos: em 29 de julho, a Polícia Civil do Rio apreendeu um detector de drones usado pelo Comando Vermelho em Duque de Caxias, e no início de agosto o Ceará registrou dois casos de drone-bomba em uma única semana. Sistemas como o da Dedrone miram justamente neutralizar esse tipo de ameaça antes que o aparelho chegue ao alvo.


O que muda para o piloto brasileiro

O TAS e o interceptador da Taurus são equipamentos de uso exclusivo de forças policiais e militares — não chegarão ao mercado civil e não alteram as regras de quem pilota drone recreativo ou comercial no Brasil. O efeito indireto é outro: com mais sistemas antidrone do tipo Dedrone entrando em operação em eventos e áreas sensíveis, cresce o risco de que voos não identificados, mesmo legítimos, sejam detectados, rastreados e abordados por engano.

Manter o cadastro no SISANT e a autorização do SARPAS sempre acessíveis durante o voo é a melhor forma de evitar esse tipo de confusão. Vale também revisar as regras vigentes no guia de regulamentação de drones no Brasil e verificar sempre as zonas com restrição de voo antes de decolar perto de grandes eventos, unidades militares ou operações policiais — justamente os cenários em que a nova geração de antidrones está sendo posicionada.



Fontes: InfoDefensa | DefesaNet