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RJ: tráfico usa detector de drones contra a PM em Caxias

6 min de leituraLucas Buzzo
RJ: tráfico usa detector de drones contra a PM em Caxias

Em menos de 48 horas, a Polícia Civil e a Polícia Militar do Rio de Janeiro flagraram dois usos distintos de drones pelo Comando Vermelho: um detector de drones apreendido em Duque de Caxias, em 29 de julho de 2026, usado para identificar a aproximação de agentes, e um piloto pago R$ 300 por semana para sobrevoar a Ilha do Governador em 30 de julho de 2026 e monitorar o movimento da polícia.

Os dois casos, ocorridos em regiões diferentes da Baixada Fluminense e da Zona Norte carioca, mostram que a facção deixou de usar o drone apenas como ferramenta de vigilância aérea e passou também a se equipar contra a vigilância feita pela própria polícia — uma escalada tecnológica que preocupa especialistas em segurança pública no estado.


Contexto: a guerra de drones nas favelas cariocas

O uso de drones por organizações criminosas no Rio de Janeiro não é novidade — facções já utilizam os equipamentos para monitorar a chegada de viaturas, localizar policiais à paisana e, em casos mais graves, até para lançar explosivos contra agentes em operações na Zona Norte e na Baixada Fluminense. O que muda nos casos de julho de 2026 é o outro lado dessa equação: o uso de um detector de drones, aparelho até então mais associado a operações oficiais de segurança pública, como a rede antidrone lançada em São Paulo em julho deste ano.

Um detector de drones funciona por meio de sensores de radiofrequência que identificam sinais de controle remoto e vídeo emitidos por aeronaves não tripuladas nas proximidades, apontando em tempo real a presença do equipamento e, em muitos modelos, a posição aproximada de quem o está operando. É a mesma lógica usada pela rede de detecção de drones lançada em São Paulo para localizar aparelhos clandestinos do crime organizado — só que, em Duque de Caxias, a tecnologia foi encontrada em posse de quem normalmente seria o alvo desse tipo de sistema.


Os dois casos flagrados em 48 horas

Na comunidade de Santa Lúcia, em Duque de Caxias, a Polícia Civil prendeu em flagrante, em 29 de julho de 2026, dois homens apontados como integrantes do Comando Vermelho, ambos com extensa passagem criminal. A ação começou após denúncias sobre um ponto ativo de venda de drogas na região; ao chegar ao local, os agentes encontraram a droga organizada sobre uma mesa identificada com as iniciais da facção e uma placa com informações de contato e chave Pix para pagamento. Além do detector de drones, foram apreendidos maconha, cocaína, crack, uma balança de precisão, uma maquininha de cartão, armas brancas, um simulacro de arma de fogo e rádios comunicadores. Todo o material foi encaminhado para perícia, e a dupla foi autuada por tráfico de drogas e associação para o tráfico.

No dia seguinte, 30 de julho de 2026, a Polícia Militar prendeu um homem na comunidade do Barbante, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio. Segundo a corporação, ele operava um drone para monitorar a movimentação de forças de segurança na região e recebia R$ 300 por semana de integrantes de uma organização criminosa local para exercer essa função — uma espécie de "olheiro aéreo" fixo, remunerado periodicamente pela facção. Com ele foram apreendidos o drone, um rádio transmissor e um celular usado para repassar as informações.

Juntos, os dois flagrantes formam um retrato da mesma lógica em direções opostas: de um lado, o drone como olho da facção contra a polícia; do outro, o detector como escudo da facção contra os drones da polícia. Situação parecida já havia sido registrada em Baía da Traição, na Paraíba, onde um suspeito de tráfico foi preso em julho usando um drone para vigiar a chegada de viaturas — mas sem o componente de contra-detecção agora visto no Rio.


O que diz a lei sobre detectores e drones usados por criminosos

Possuir um detector de drones não é, por si só, crime previsto na legislação brasileira — o equipamento tem uso legítimo em contextos de segurança privada e monitoramento de eventos. O que torna o caso de Duque de Caxias ilegal é o contexto: a associação do aparelho a uma estrutura de tráfico de drogas, o que pode ser enquadrado como parte da organização criminosa nos termos da Lei nº 12.850/2013, além do próprio flagrante de tráfico.

Já o uso do drone para vigiar policiais, como no caso da Ilha do Governador, soma-se ao tráfico como agravante da atuação da facção, embora a legislação penal não preveja um tipo específico para "espionagem de operação policial por drone" — a conduta costuma ser tratada como parte do favorecimento à atividade criminosa. Na esfera regulatória, qualquer drone operado sem registro no SISANT da ANAC e sem autorização prévia via SARPAS já está irregular independentemente da finalidade do voo; desde 1º de julho de 2026, essa exigência vale para todos os pesos de aeronave, sem exceção para modelos leves. Para entender o conjunto completo de regras que qualquer piloto — incluindo quem usa o equipamento para fins criminosos — está sujeito a cumprir no Brasil, veja o guia sobre a regulamentação de drones no Brasil.


O que muda para o piloto brasileiro

Para quem pilota drone dentro da lei no Rio de Janeiro, os dois casos não criam nenhuma obrigação nova, mas aumentam a chance de abordagem policial em áreas próximas a comunidades sob operação. Como facções vêm associando drones e detectores a atividades ilícitas, agentes tendem a reforçar a fiscalização de qualquer voo nessas regiões, mesmo os legítimos, para confirmar registro no SISANT e autorização vigente no SARPAS.

Manter a documentação do equipamento acessível no celular, evitar sobrevoar comunidades durante operações policiais em andamento e informar a autorização de voo caso seja abordado são cuidados simples que evitam confusão com o uso indevido do equipamento por criminosos — cada vez mais frequente nas ocorrências registradas pela polícia fluminense.



Fontes: CNN Brasil | Band Rio de Janeiro