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Drone para vigiar a polícia: traficante é preso na PB

5 min de leituraLucas Buzzo
Drone para vigiar a polícia: traficante é preso na PB

A Polícia Civil da Paraíba prendeu, em flagrante, um homem de 37 anos suspeito de tráfico de drogas em Baía da Traição, no Litoral Norte do estado, na quarta-feira (22 de julho de 2026). Ele usava um drone e uma câmera de segurança para monitorar a movimentação de policiais nas proximidades de sua residência, segundo apurou a investigação.

O caso reacende a discussão sobre o uso criminoso de drones no Brasil justamente no mês em que entrou em vigor a reforma mais profunda já feita na regulamentação do espaço aéreo nacional, tornando qualquer voo — legal ou ilegal — mais fácil de rastrear.


Como funcionava o esquema em Baía da Traição

Segundo a Polícia Civil, o suspeito instalou um drone e uma câmera de monitoramento para acompanhar a chegada de viaturas e agentes na região próxima à sua casa, usando os equipamentos como um sistema de alerta antecipado contra abordagens policiais. As investigações apontam ligação dele com uma facção criminosa que atuava na venda de entorpecentes em Baía da Traição e no município vizinho de Rio Tinto.

Durante a operação, os policiais apreenderam pinos de cocaína, uma substância usada na fabricação do "loló" — um inalante artesanal consumido como entorpecente —, dinheiro em espécie, uma balança de precisão, uma maquininha de cartão e vários aparelhos celulares, além do próprio drone e da câmera. O homem, que segundo a polícia já trabalhou limpando piscinas em navios de cruzeiro na Europa, foi autuado por tráfico de drogas e encaminhado à delegacia.

Não é a primeira vez que equipamentos aéreos não tripulados aparecem em operações do tipo no Brasil — drones já foram flagrados sendo usados para levar celulares e drogas a presídios em outros estados. O diferencial do caso paraibano é o uso do drone não para transportar algo, mas para espionar o trabalho da própria polícia em tempo real.


O que diz a lei sobre uso indevido de drones

Usar um drone para fins criminosos no Brasil pode gerar consequências em três frentes distintas. Na esfera penal, o Código Penal prevê pena de dois a cinco anos de reclusão para quem pratica atos que ponham em risco a segurança da navegação aérea, e o uso do equipamento para monitorar ou filmar pessoas sem consentimento pode configurar violação de privacidade. Na esfera administrativa, a ANAC pode aplicar multa, apreensão e interdição do equipamento a quem viola as normas de operação de aeronaves não tripuladas.

No caso de Baía da Traição, a reportagem policial não detalha se o drone em si será alvo de autuação específica pela ANAC ou pelo DECEA — o flagrante concentrou-se no crime de tráfico de drogas. Ainda assim, o episódio expõe um ponto que reguladores e especialistas em segurança pública vêm reforçando: o drone deixou de ser apenas ferramenta de fotografia e passou a ser usado como equipamento tático, tanto por quem cumpre a lei quanto por quem tenta escapar dela.

Para entender o panorama completo das regras que qualquer piloto — profissional, hobbysta ou, neste caso, criminoso — está sujeito a cumprir, veja o guia sobre a regulamentação de drones no Brasil.


SARPAS, SISANT e o novo cerco regulatório

Desde 1º de julho de 2026, a nova ICA 100-40 do DECEA exige autorização prévia via SARPAS (Sistema de Autorização de Acesso ao Espaço Aéreo Não Segregado) para absolutamente todos os drones que voam no Brasil, incluindo os modelos com menos de 250 gramas, que antes ficavam dispensados dessa exigência em boa parte das situações. Na prática, isso significa que qualquer voo sem essa autorização já nasce irregular perante o DECEA, independentemente da finalidade.

ExigênciaAté 30 de junho de 2026A partir de 1º de julho de 2026
Registro no SISANT (ANAC)Obrigatório acima de 250gObrigatório para qualquer peso
Autorização via SARPASDispensada para drones leves em certas condiçõesObrigatória para todos os voos
Vínculo do equipamento ao donoParcialReforçado pela integração SISANT–SARPAS

O SISANT vincula cada drone registrado ao CPF ou CNPJ do proprietário, e desde a nova ICA 100-40 essa base é sincronizada automaticamente com o perfil no SARPAS. Um drone usado fora dessas regras — como o apreendido na Paraíba — está descumprindo a norma antes mesmo de qualquer outra consideração sobre a finalidade do voo. Veja o passo a passo de como funciona a autorização de voo pelo SARPAS.


O que muda para o piloto brasileiro

Para o piloto que voa dentro da lei, o episódio não muda obrigações — elas já estão em vigor desde julho. Mas reforça por que vale a pena manter a documentação em dia: com drones cada vez mais associados a ocorrências policiais, é mais provável que agentes abordem operadores em campo para confirmar registro no SISANT e autorização vigente no SARPAS, mesmo em voos legítimos de inspeção, imobiliária ou lazer.

Manter o comprovante de autorização salvo no celular, verificar o SARPAS antes de decolar e evitar sobrevoar áreas de operação policial em andamento são cuidados simples que evitam confusão com o uso indevido do equipamento — e que já eram boas práticas antes mesmo do caso da Paraíba.



Fontes: PB Agora | Voz da Paraíba