Detecção de Drones: SP lança 1ª rede contra o crime

São Paulo ganhou, em 14 de julho de 2026, a primeira rede de detecção de drones como serviço (DDaaS, na sigla em inglês) do Brasil. Criada pelas empresas Ôguen Tecnologias e R2 Wireless, a rede usa sensores de radiofrequência para localizar em tempo real drones não autorizados e a posição de seus pilotos — resposta direta ao crescimento do uso de aparelhos clandestinos por grupos criminosos na cidade.
O anúncio foi feito pelos CEOs das duas empresas, Hen Harel (Ôguen) e Onn Fenig (R2 Wireless), e faz de São Paulo a primeira cidade do mundo a adotar uma rede de detecção de drones em escala municipal, por assinatura.
Como funciona a detecção por radiofrequência
Diferente de radares tradicionais, o sistema opera na camada física do sinal de rádio, não no protocolo de comunicação do drone. Isso significa que ele identifica a própria emissão eletromagnética do aparelho — o que permite detectar drones comerciais, aeronaves modificadas, montagens caseiras (FPV artesanal) e até equipamentos com sinal disfarçado ou anonimizado, que escapariam de sistemas baseados em reconhecimento de protocolo.
A tecnologia combina três camadas, segundo a Ôguen: sensores R2 Wireless para triangulação de radiofrequência, sistema Magos para classificação de ameaças e o software Regulus Ring para orquestrar a resposta. Além de indicar onde está o drone, a rede também estima a posição do piloto em solo — dado valioso para as forças de segurança em uma abordagem.
O serviço é vendido por assinatura (modelo DDaaS), sem necessidade de comprar hardware próprio. Isso reduz o custo de entrada para prefeituras, condomínios, aeroportos, presídios e propriedades rurais que antes só conseguiriam pagar por sistemas antidrone completos, incluindo neutralização, com investimento muito maior.
Por que São Paulo decidiu agir agora
O lançamento acontece em um momento de preocupação crescente das autoridades brasileiras com drones usados por facções criminosas — para vigiar policiais, entregar itens dentro de presídios ou monitorar operações. As empresas afirmam manter conversas ativas com autoridades de segurança pública para ampliar o uso da rede além dos primeiros clientes privados.
O movimento também acompanha o endurecimento da regulamentação aérea brasileira. Desde 1º de julho de 2026, a nova ICA 100-40 do DECEA passou a exigir autorização prévia via SARPAS para qualquer drone que acesse o espaço aéreo — inclusive aparelhos com menos de 250 g, antes dispensados dessa exigência. Na prática, isso torna mais fácil separar quem está voando dentro da lei de quem não pediu autorização alguma, exatamente o tipo de distinção que uma rede de detecção precisa fazer. Para entender as regras atuais em detalhe, veja o guia de regulamentação de drones no Brasil.
O que muda para o piloto brasileiro
Para quem já voa dentro da lei, a resposta direta é: nada muda nas obrigações. O objetivo declarado da rede é distinguir drones autorizados de drones clandestinos — não criar uma nova camada de burocracia para o piloto regular. Mas o lançamento reforça um ponto prático: em cidades como São Paulo, cadastrar o drone no SISANT e solicitar autorização pelo SARPAS deixou de ser apenas uma exigência formal e passou a ser também uma forma de evitar ser confundido, em uma varredura de radiofrequência, com um aparelho não identificado.
Empresas de segurança privada, condomínios e órgãos públicos que hoje contratam serviços de vigilância também devem esperar redes semelhantes chegando a outras capitais nos próximos meses — o Brasil já soma mais de 133 mil drones registrados no SISANT, e o aumento constante de tráfego aéreo não tripulado é justamente o que torna sistemas de detecção contínua, e não pontual, cada vez mais necessários.
FAQ
Fontes: DroneLife | Unmanned Airspace
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