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Drones: PF Gasta R$ 95 Mi para Blindar Eleições 2026

5 min de leituraLucas Buzzo
Drones: PF Gasta R$ 95 Mi para Blindar Eleições 2026

A Polícia Federal confirmou, em 17 de julho de 2026, um esquema nacional de segurança para os candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026 que inclui o uso de drones e de equipamentos antidrone. A operação, coordenada pela Diretoria de Proteção de Pessoas (DPP), mobiliza até 458 agentes, tem orçamento estimado em R$ 95 milhões e começa a operar em 20 de julho, logo após a homologação das candidaturas nas convenções partidárias.


Por que a PF está reforçando a segurança agora

O esquema nasce da mesma lógica que motivou o Estado do Paraná a entregar 243 drones às forças de segurança em fevereiro de 2026 e que levou o governo federal a estudar a obrigatoriedade de sistemas antidrone em aeroportos: drones baratos e de fácil acesso viraram, ao mesmo tempo, ferramenta de vigilância para quem protege e risco de ataque ou monitoramento indevido para quem é protegido.

Desde abril de 2026, a PF já vinha conversando com os 30 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para alinhar o formato da proteção. A corporação afirma que vai aplicar os mesmos critérios técnicos a todas as dez candidaturas presidenciais que a estrutura consegue atender simultaneamente, com efetivo e recursos definidos individualmente conforme o nível de risco de cada campanha.

A adesão ao esquema é facultativa: cada presidenciável pode recusar a proteção oferecida pela PF e solicitar inclusão depois, caso mude de ideia durante a campanha.

O investimento também segue uma tendência que já aparecia em iniciativas estaduais de segurança pública:

OperaçãoAbrangênciaInvestimentoEquipamento principal
PF — Eleições 2026Nacional, até 10 candidaturasR$ 95 milhõesDrones + antidrone, blindados, kits antibomba
Governo do Paraná — fev. 2026Estadual (PR)R$ 12,2 milhões243 drones para PM, Bombeiros e polícias
Secretaria de Segurança do Maranhão — mai. 2026Estadual (MA)Não divulgado25 drones com câmera térmica

O que compõe o esquema de segurança

Segundo a PF, a estrutura combina pessoal, veículos e tecnologia:

  • Até 458 servidores, entre agentes de proteção, chefes de equipe e profissionais de inteligência e logística
  • R$ 95 milhões em orçamento estimado para toda a operação
  • Veículos blindados e grupos táticos para deslocamento e cobertura de agendas
  • Equipamentos antidrone para detecção de aeronaves não tripuladas não autorizadas
  • Reconhecimento facial e monitoramento digital de ameaças
  • Kits de vistoria antibomba e coletes balísticos de alto desempenho

Uma Sala Nacional de Comando e Controle, em Brasília, entra em operação em 20 de julho para integrar as informações de todas as superintendências regionais e coordenar as ações de segurança durante a campanha. Equipes precursoras vão reconhecer os locais de cada agenda antes da chegada do candidato, em articulação com as forças estaduais e municipais.


Drones como ferramenta de proteção, não só de ameaça

O uso de drones pela própria PF é a parte menos comentada do esquema, mas tecnicamente relevante. Mais de 600 profissionais foram treinados ou reciclados entre 2025 e 2026 em áreas como direção veicular, primeiros socorros, resgate aquático e operação de drones, ao lado das técnicas específicas de proteção de autoridades.

Na prática, isso significa aeronaves remotamente pilotadas usadas para reconhecimento aéreo de rotas e locais de evento antes da chegada do candidato — a mesma lógica de sobrevoo prévio já usada por batalhões de operações aéreas estaduais, como o BVLOS (voo além da linha de visada) vem permitindo em operações policiais de maior alcance.

Do outro lado, os equipamentos antidrone cumprem a função oposta: detectar e neutralizar qualquer aeronave não tripulada não autorizada que se aproxime de comitivas, palanques ou deslocamentos de campanha. É a mesma tecnologia que o Senado avaliou no PL 5.646/2025, que trata da interceptação e do abate de drones considerados ameaça à ordem pública ou à integridade de pessoas.


O que muda para o piloto brasileiro

Para quem pilota drone por hobby ou trabalho, o esquema da PF tem um efeito prático direto: comitivas de candidatos à Presidência devem passar a contar com bolhas de segurança que incluem detecção antidrone, mesmo fora de áreas com restrição formal previamente publicada.

Isso reforça uma regra que já vale desde 1º de julho de 2026, quando entrou em vigor a nova ICA 100-40 do DECEA: toda operação de drone no Brasil, inclusive equipamentos sub-250 g, precisa de autorização prévia via SARPAS. Fotógrafos e videomakers que cobrem eventos de campanha devem:

  1. Consultar o SARPAS antes de qualquer voo próximo a comícios, carreatas ou entrevistas coletivas de presidenciáveis
  2. Verificar se há NOTAM (aviso aos aeronavegantes) ou restrição temporária publicada pelo DECEA para o local e a data do evento
  3. Manter distância de comitivas oficiais mesmo sem sinalização visível de restrição, já que a detecção antidrone da PF pode identificar o equipamento antes que o piloto perceba qualquer aviso
  4. Ter em mente que a legislação em tramitação sobre interceptação e abate de drones (PL 5.646/2025) amplia a base legal para neutralização de aeronaves consideradas ameaça

Na prática, 2026 consolida um padrão: o piloto que atua perto de autoridades protegidas — seja em Brasília, seja em qualquer capital durante a campanha — precisa presumir que existe monitoramento antidrone ativo, verificado ou não pelo aplicativo do fabricante.


Fontes: Correio Braziliense | Gazeta do Povo