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Guarulhos será o 1º aeroporto antidrones do Brasil

4 min de leituraLucas Buzzo
Guarulhos será o 1º aeroporto antidrones do Brasil

O Ministério dos Portos e Aeroportos enviou à ANAC, em 11 de setembro de 2026, diretrizes para implantar um sistema antidrones no Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU), tornando-o o primeiro aeroporto do Brasil a receber essa tecnologia. O anúncio, divulgado em 14 de setembro, prevê detecção, monitoramento, mitigação e neutralização de drones não autorizados, com custo e operação a cargo da concessionária do aeroporto.


Por que Guarulhos foi o escolhido

Guarulhos não é um caso isolado — é o aeroporto brasileiro com o histórico mais grave de interferência de drones em operações comerciais. Em 15 de fevereiro de 2026, a presença de cerca de oito drones não identificados sobre a pista forçou o fechamento do aeroporto por três horas, com 32 voos desviados e 8 cancelados, segundo dados da própria ANAC; a Latam contabilizou 45 voos afetados no total. Em 19 de agosto, um novo episódio suspendeu pousos e decolagens por 30 minutos, com 20 voos desviados, 8 cancelamentos e prejuízo estimado em R$ 2 milhões pelas companhias aéreas.

O ministro Tomé Franca justificou a escolha pela "relevância do aeroporto para a malha aérea nacional e o histórico de ocorrências com drones no entorno". Guarulhos é o maior aeroporto do Brasil em movimento de passageiros e cargas, o que torna qualquer interrupção de pista particularmente cara — em voos desviados, combustível extra e indenizações a passageiros.


Como vai funcionar o sistema C-UAS

O sistema segue o padrão internacional conhecido como C-UAS (Counter-Uncrewed Aircraft Systems, ou Sistemas Contra Aeronaves Não Tripuladas): tecnologias de radar, sensores de radiofrequência e câmeras que detectam e rastreiam drones em tempo real e, dependendo do equipamento, permitem interferir no sinal ou neutralizar a aeronave antes que ela entre na área de pouso e decolagem.

A diretriz distribui responsabilidades entre quatro órgãos:

ResponsávelFunção
Concessionária do aeroporto (GRU Airport)Compra, instalação e operação dos equipamentos
DECEADefine as áreas de proteção e os procedimentos de suspensão e retomada de voos
AnatelHomologa os equipamentos de detecção e neutralização
Polícia Federal e ANACAvaliam risco e a relação custo-benefício do projeto

Diferentemente de bloqueadores de sinal usados em ações pontuais pela Polícia Militar — como nos episódios de fevereiro e agosto —, o novo sistema ficará instalado permanentemente no perímetro do aeroporto, com monitoramento contínuo em vez de resposta reativa a cada ocorrência.


Quando entra em operação e o que vem depois

A diretriz do Ministério dos Portos e Aeroportos não fixa uma data de entrada em operação. O texto trata Guarulhos como um projeto-piloto: a ANAC vai acompanhar os resultados antes de decidir sobre a expansão do modelo a outros aeroportos, usando critérios como movimento de aeronaves, volume de passageiros, histórico de ocorrências com drones e características do entorno.

"Estamos dando um passo importante para ampliar a segurança das operações e oferecer uma resposta mais eficaz ao problema dos drones perto de aeroportos", afirmou o ministro Tomé Franca. Aeroportos como Congonhas (SP), Galeão (RJ) e Brasília (DF) — que também registraram incidentes com drones nos últimos meses — são candidatos naturais a uma segunda fase, caso a experiência em Guarulhos seja considerada bem-sucedida.


O que muda para o piloto brasileiro

Para quem pilota drone de forma recreativa ou comercial, a diretriz não cria uma nova proibição imediata — ela reforça um problema que já existe: voar sem autorização perto de aeroportos já é infração grave, sujeita a apreensão do equipamento e multa. As zonas restritas ao redor de aeroportos continuam definidas pelo DECEA, e qualquer voo dentro delas depende de autorização prévia via SARPAS, independentemente do peso da aeronave.

Na prática, o sistema antidrones de Guarulhos aumenta a chance de detecção e resposta rápida a voos irregulares — o que vale tanto para quem tenta operar por descuido, sem checar o mapa de restrições, quanto para o uso criminoso do equipamento, hoje a principal fonte de incidentes graves no aeroporto. Pilotos que atuam legalmente, com cadastro no SISANT e autorização de voo, não são o alvo da medida; o sistema foi desenhado para identificar exatamente os drones que operam fora das regras.



Fontes: Panrotas | Transporte Moderno | CNN Brasil