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Guerra de drones chega às facções: Brasil tem 8 ataques

5 min de leituraLucas Buzzo
Guerra de drones chega às facções: Brasil tem 8 ataques

Facções criminosas latino-americanas, incluindo o Comando Vermelho no Brasil, adotaram táticas de guerra com drones aprendidas no conflito da Ucrânia, revelou a Foreign Policy em 13 de agosto de 2026. A reportagem documenta ao menos oito ataques de gangues brasileiras com drones-granada contra forças de segurança e rivais, além de mercenários colombianos que levam para o crime organizado o conhecimento adquirido em combate.


Como a guerra na Ucrânia virou escola para o crime organizado

Segundo a Foreign Policy, o conflito entre Rússia e Ucrânia se tornou o principal "campo de provas" da guerra moderna com drones: em meados de 2025, drones já respondiam por 69% dos ataques contra as forças russas em combate. Essa eficácia comprovada em campo de batalha chamou a atenção de organizações criminosas em toda a América Latina, que passaram a copiar as táticas — não por acesso a tecnologia militar sofisticada, mas por adaptações baratas de drones comerciais, os mesmos vendidos para fins civis e agrícolas.

O canal de transmissão de conhecimento identificado pela reportagem é direto: mais de 7.000 colombianos, boa parte deles militares reformados em busca de complemento de renda, foram lutar na Ucrânia desde a invasão russa em 2022. Alguns desses mercenários, ao retornar, passaram a ser recrutados por cartéis mexicanos para ensinar o que aprenderam sobre pilotagem de drones FPV (first person view), guerra eletrônica e ataques coordenados. Em setembro de 2024, autoridades mexicanas chegaram a prender um ex-militar colombiano justamente por treinar grupos criminosos no uso de drones.


O caso brasileiro: Comando Vermelho já soma 8 ataques documentados

No Brasil, a Foreign Policy aponta o Comando Vermelho (CV) como o exemplo mais avançado da tendência. A facção usou drones para lançar explosivos contra policiais e civis durante a megaoperação de outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro — a ação mais letal da história da segurança pública brasileira, com quatro agentes mortos nos confrontos. Ao todo, a reportagem contabiliza ao menos oito episódios em que facções brasileiras lançaram granadas por meio de drones contra forças de segurança ou rivais.

O caso do CV não é isolado nem recente. Já em 2014, o Brasil registrava os primeiros drones usados para contrabandear itens para dentro de presídios, e em 2019 a polícia do Rio Grande do Sul apreendeu 43 drones envolvidos no contrabando de 4 kg de drogas e 68 celulares para unidades prisionais, segundo levantamento do InsightCrime. O Primeiro Comando da Capital (PCC) também usa drones rotineiramente para vigiar comunidades e monitorar a chegada da polícia. O que mudou em 2025 e 2026 foi a passagem do drone como ferramenta de vigilância e contrabando para arma de ataque direto — a mesma escalada registrada em casos recentes no Ceará, onde dois drones adaptados para lançar explosivos foram apreendidos em uma única semana, e no Rio, onde o Comando Vermelho já paga pilotos para sobrevoar comunidades e usa detectores contra drones policiais.


Números da escalada na América Latina

Fora do Brasil, os dados levantados pela Foreign Policy mostram uma curva de crescimento acentuada, sobretudo na Colômbia, onde insurgentes armados aprenderam a tática diretamente com o crime organizado mexicano, que usa drones para fins criminosos desde pelo menos 2015.

PaísIndicadorValor
ColômbiaAtaques com drone em 20231
ColômbiaAtaques com drone em 202438
ColômbiaAtaques com drone em 2025 (até 17/jul)149
MéxicoMortes anuais por drones armados (2024–2026)37 a 40
BrasilAtaques documentados de facções com drone-granadaao menos 8

Diante do salto nos ataques, o governo colombiano anunciou em janeiro de 2026 um programa de US$ 1,68 bilhão para aquisição de sistemas antidrone e proteção reforçada de unidades militares — investimento na mesma linha do que o Brasil já discute para proteger aeroportos estratégicos e o processo eleitoral de 2026.


O que muda para o piloto brasileiro

A escalada de ataques com drone por facções não cria nenhuma nova exigência legal para quem pilota dentro da lei, mas deve intensificar a fiscalização sobre qualquer voo não identificado perto de comunidades em disputa territorial, presídios e grandes eventos — inclusive de operadores legítimos que possam ser confundidos com uso criminoso. Manter o cadastro no SISANT e a autorização do SARPAS sempre acessíveis durante o voo, e evitar sobrevoar áreas de conflito armado, reduz esse risco.

O episódio também reforça um debate mais amplo sobre o uso bélico de drones, tratado com profundidade no guia sobre drones militares e o Direito Internacional Humanitário. Para quem quer entender o conjunto completo de regras que qualquer aeronave não tripulada precisa cumprir no espaço aéreo brasileiro, o guia de regulamentação de drones no Brasil reúne as exigências da ANAC e do DECEA em vigor desde julho de 2026.



Fontes: Foreign Policy | InsightCrime