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Raytheon fecha US$ 729 mi em contratos antidrone 2026

4 min de leituraLucas Buzzo
Raytheon fecha US$ 729 mi em contratos antidrone 2026

A Raytheon, empresa do grupo RTX, anunciou em 13 de outubro de 2026 contratos de US$ 729 milhões para fornecer componentes do sistema antidrone LIDS ao Exército dos Estados Unidos, ao Catar e à Jordânia. É a primeira vez que o radar KuRFS e o interceptor Coyote são vendidos a clientes fora dos EUA, segundo a DroneDJ.

O valor não foi dividido entre os três compradores, e a empresa não informou quantidades nem prazos de entrega. Ainda assim, o anúncio mostra que a defesa contra drones deixou de ser um nicho e virou um mercado de exportação.


O que é o LIDS e o que a Raytheon vai fornecer?

O LIDS (Low, slow, small, uncrewed aircraft Integrated Defeat System) é o sistema integrado do Exército americano para detectar, rastrear e neutralizar drones pequenos e de baixa velocidade. Ele combina radar, outros sensores e interceptores em uma única cadeia de defesa.

Os contratos cobrem duas peças principais:

  • KuRFS (Ku-band Radio Frequency Sensor): radar que detecta e rastreia ameaças em um campo de visão de 360 graus.
  • Coyote: interceptor que enfrenta drones isolados e enxames coordenados, disponível em versões cinética e não cinética.

A Raytheon afirma que os interceptores Coyote já somam centenas de interceptações em combate. Os contratos incluem configurações fixas e móveis.


Quanto vale o contrato e quem compra?

Os US$ 729 milhões (cerca de R$ 4 bilhões, na cotação aproximada de outubro de 2026) reúnem três clientes. Segundo a RTX, são estes os dados divulgados:

ItemInformação divulgada
Valor totalUS$ 729 milhões
CompradoresExército dos EUA, Catar e Jordânia
ProdutosRadar KuRFS e interceptor Coyote
MarcoPrimeiras vendas internacionais de ambos
Divisão por clienteNão divulgada
Quantidades e prazosNão divulgados

A empresa também amplia a capacidade de fabricação e prepara melhorias no Coyote, com lançamento mais rápido, maior velocidade e mais alcance em altitudes elevadas.


Por que a defesa contra drones está em alta?

Ataques com drones em conflitos recentes, como a guerra entre Rússia e Ucrânia, mostraram que aeronaves baratas podem ameaçar alvos caros. Isso levou governos a investir em sistemas capazes de detectar e neutralizar drones em escala.

O movimento aparece em vários países. Na Europa, a OTAN lançou o Drone Edge, de US$ 40 bilhões em cinco anos e, nos Estados Unidos, o Pentágono testa armas antidrone em cinco bases. O mercado civil também reage: a Motorola comprou a DFend, especializada em tecnologia antidrone.


O que muda para o piloto brasileiro

O contrato não altera nenhuma regra da ANAC ou do DECEA, e não há venda do LIDS ao Brasil. Mesmo assim, o tema chega ao país por três caminhos.

Primeiro, a tecnologia antidrone avança também em estruturas civis. O Aeroporto de Guarulhos será o primeiro do Brasil com sistema antidrones, depois de drones suspenderem voos no terminal em agosto. Segundo, o Exército brasileiro testou radar de detecção de drones, como mostra a cobertura do exercício Sagitta Primus, em Goiás.

Terceiro, e mais importante para quem voa: áreas protegidas por detecção e neutralização tendem a ser fiscalizadas com mais rigor. Quem pilota no Brasil deve seguir as regras de drone da ANAC e do DECEA, pedir autorização no SARPAS e evitar aeroportos, bases militares e eventos com restrição de espaço aéreo.



Fontes: DroneDJ | MarketScreener (comunicado da RTX) | Defence Industry Europe