Drones Fecham Aeroporto de Guarulhos: 20 Voos Desviados

Drones não identificados sobrevoaram a pista 28 do Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU) na noite de 19 de agosto de 2026, suspendendo pousos e decolagens entre 21h37 e 22h07. A Polícia Militar bloqueou o sinal dos aparelhos para neutralizá-los; ao todo, companhias aéreas registraram 20 voos desviados, 8 cancelamentos e quase 5 mil passageiros afetados.
A Polícia Federal foi acionada para apoiar a reabertura da pista. O prejuízo inicial estimado pelas companhias aéreas é de R$ 2 milhões, e nenhum suspeito havia sido identificado até a publicação desta reportagem.
Mais um episódio na crise de drones em Guarulhos
Guarulhos, o aeroporto mais movimentado do Brasil, enfrenta o problema há mais de um ano. Somente em 2025, o terminal registrou 35 interrupções de operações causadas por drones não autorizados; nos dois primeiros meses de 2026, já haviam sido mais dez. Em fevereiro, um único episódio com cerca de oito drones simultâneos fechou a pista por três horas e afetou 45 voos. Em maio, um novo sobrevoo levou a Polícia Federal a abrir apuração sobre possível ligação com o tráfico de drogas.
Esse não é um receio hipotético: em um caso registrado em 2025, a Polícia Federal confirmou que um drone que havia interrompido pousos e decolagens em Guarulhos era guiado por integrantes de uma facção criminosa, usado para monitorar a área do aeroporto. É esse histórico que torna o episódio de 19 de agosto mais um capítulo de um problema recorrente, e não um caso isolado.
O que se sabe sobre o apagão de 30 minutos na pista 28
A presença de drones foi detectada por volta das 21h37 de quarta-feira nas proximidades da pista 28, levando o controle de tráfego aéreo a suspender pousos e decolagens por precaução. A operação foi retomada às 22h07, depois que a Polícia Militar acionou equipamentos bloqueadores de sinal (jamming) para neutralizar os aparelhos e as equipes confirmarem que a área estava livre.
Pelo menos 14 voos com destino a Guarulhos precisaram ser desviados em tempo real para aeroportos alternativos: quatro para Confins (MG), quatro para o Galeão (RJ), três para Viracopos, em Campinas (SP), dois para Ribeirão Preto (SP) e um para Curitiba (PR). Considerando o efeito em cascata sobre a malha aérea da noite, as companhias aéreas contabilizaram, ao todo, 20 voos desviados e 8 cancelamentos, com cerca de 5 mil passageiros impactados por atrasos, realocações e pernoites fora do destino original.
A concessionária GRU Airport afirmou que "o uso de drones nas imediações do sítio aeroportuário coloca em risco a aviação" e que colaborou imediatamente com o controle de tráfego aéreo e as forças de segurança para neutralizar a interferência.
Por que o sistema antidrone prometido ainda não entrou em operação
O episódio expõe o descompasso entre o problema e a resposta regulatória. Em março de 2026, o Ministério de Portos e Aeroportos, a ANAC e o DECEA anunciaram que Guarulhos seria o primeiro aeroporto brasileiro a receber, por norma, sistemas obrigatórios de detecção e neutralização de drones — capazes de identificar aeronaves não autorizadas e bloquear seu sinal antes que cheguem perto da área de aproximação. A expectativa do governo era publicar a norma "ainda em 2026", mas cinco meses depois do anúncio, o aeroporto continua dependendo de resposta reativa: um drone só é neutralizado depois de já estar sobrevoando a pista, exatamente como aconteceu na noite de 19 de agosto.
Enquanto o sistema permanente não sai do papel, a defesa de Guarulhos segue baseada em equipamentos móveis operados pela Polícia Militar, acionados somente depois que o radar ou a vigilância humana já detectou o sobrevoo — uma janela de reação que, na prática, é medida em minutos de pista fechada e voos desviados.
O que muda para o piloto brasileiro
Para quem opera drones dentro da regra, o episódio de Guarulhos não altera a legislação, mas reforça um limite que já era rígido: voar dentro do perímetro de proteção de qualquer aeroporto brasileiro sem autorização prévia do SARPAS é proibido, independentemente do peso do equipamento, desde que a nova ICA 100-40 do DECEA entrou em vigor em 1º de julho de 2026.
O piloto flagrado sobrevoando essas áreas sem liberação está sujeito a multa da ANAC — que pode chegar a R$ 50 mil — e a responsabilização criminal por expor a aviação civil a perigo, com pena que pode chegar a cinco anos de reclusão dependendo da gravidade do caso. Com a Polícia Federal tratando episódios como o de Guarulhos com cada vez mais atenção à hipótese de ação criminosa organizada, a tendência é que a fiscalização em torno do aeroporto fique ainda mais rígida nas próximas semanas, inclusive para quem tenta operar de forma recreativa nas imediações do terminal.
FAQ
Fontes: O Tempo | Diário do Grande ABC
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