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Pentágono Testa 4 Armas Antidrone em 5 Bases (2026)

7 min de leituraLucas Buzzo
Pentágono Testa 4 Armas Antidrone em 5 Bases (2026)
Também disponível em inglês

O Pentágono escolheu quatro armas de energia dirigida — lasers de alta energia e um sistema de micro-ondas de alta potência da AeroVironment, Epirus, Kord Technologies e Boeing — para um piloto antidrone de um ano em cinco bases militares dos EUA, confirmado pelo Departamento de Guerra em 6 de outubro de 2026. Os testes operacionais começam neste outono (outono no hemisfério norte) em instalações no Arizona, Texas, Washington, Dakota do Norte e Missouri, com um confronto direto entre os sistemas previsto para dezembro em Dugway Proving Ground, Utah.

O piloto é conduzido pela Joint Interagency Task Force 401 (JIATF-401), organização liderada pelo Exército dos EUA criada em 2025 para coordenar o trabalho de defesa contra sistemas aéreos não tripulados (C-UAS) entre as forças armadas e agências federais. O general de brigada Matt Ross, diretor da força-tarefa, disse que a energia dirigida dá aos comandantes de base "mais uma opção dentro de uma defesa em camadas" contra pequenos drones.


Por que o Pentágono está apostando em lasers

Drones pequenos e baratos se tornaram um incômodo quase diário sobre instalações militares americanas. O Comando Norte dos EUA (NORTHCOM) afirma que incursões de drones no espaço aéreo de bases já ocorrem quase todos os dias, variando de erros de hobbistas a suspeitas de vigilância por atores hostis. A defesa aérea tradicional — mísseis e foguetes interceptadores que custam dezenas de milhares de dólares cada — é um mau negócio econômico contra enxames de drones que podem custar poucas centenas de dólares cada.

Armas de energia dirigida destroem ou desativam alvos com um feixe focado de energia laser ou micro-ondas, em vez de um projétil físico, prometendo um custo por disparo muito mais baixo e, em tese, um "pente" ilimitado de munição enquanto houver energia disponível. A lei orçamentária de defesa dos EUA para o ano fiscal de 2026 (NDAA) financiou um programa-piloto para testar se essa promessa se confirma fora de um campo de testes controlado. A JIATF-401 já havia indicado as cinco bases-sede — Fort Bliss, Fort Huachuca, Base Aérea de Grand Forks, Base Aérea de Whiteman e Base Naval de Kitsap — em maio de 2026. O anúncio de 6 de outubro é o passo seguinte: definir quais sistemas de armas específicos serão de fato instalados e testados nesses locais.

A pressão aumentou depois de dois incidentes na fronteira do Texas, no início deste ano. Em 10 de fevereiro de 2026, agentes da alfândega americana (CBP) usaram um laser da AeroVironment pertencente ao Pentágono perto de Fort Bliss para atingir o que depois se revelou serem balões metálicos — episódio que levou a FAA a fechar todo o espaço aéreo num raio de 10 milhas náuticas do VORTAC de El Paso, do solo até 18.000 pés, restrição suspensa horas depois pela Casa Branca. Um segundo incidente, em 26 de fevereiro, envolveu soldados usando o mesmo laser para abater um drone não coordenado da CBP sobre Fort Hancock, Texas. Os episódios geraram uma disputa de dois meses entre o Pentágono e a FAA, resolvida apenas em 11 de abril de 2026, quando a agência de aviação liberou formalmente o uso militar de lasers contra drones no espaço aéreo americano, após uma demonstração de segurança no campo de testes de White Sands. O piloto de outubro agora opera sob os protocolos de coordenação resultantes entre FAA e Departamento de Guerra.


Os quatro sistemas escolhidos

SistemaFabricanteTecnologiaClasse de potência
Palletized High-Energy Laser (P-HEL / LOCUST)AeroVironmentLaser de alta energiaClasse 20 kW
LeonidasEpirusMicro-ondas de alta potênciaNão divulgada
FireflyKord TechnologiesLaser de alta energiaNão divulgada
Compact Laser Weapon SystemBoeingLaser de alta energiaClasse 5 kW

Três dos quatro sistemas são lasers; o Leonidas, da Epirus, é um sistema de micro-ondas de alta potência, que desativa a eletrônica dos drones num feixe mais largo em vez de "queimar" uma única aeronave por vez — uma vantagem contra enxames, nos quais apontar um laser estreito, um alvo de cada vez, é um gargalo. A entrada da AeroVironment é um nome já conhecido: é a mesma família LOCUST que o Exército americano encomendou num contrato de produção de US$ 400 milhões em agosto de 2026, somado a um contrato separado de US$ 464,8 milhões sob o programa Enduring High-Energy Laser.


Cinco bases, um ano, um confronto final

As cinco instalações que recebem o piloto foram escolhidas deliberadamente por terrenos e climas variados, segundo a JIATF-401, para testar os sistemas em condições operacionais diferentes:

  • Fort Bliss, Texas — calor desértico e muita poeira, além de proximidade com os incidentes de fronteira que aceleraram o programa
  • Fort Huachuca, Arizona — deserto de alta altitude, com infraestrutura de testes C-UAS do Exército já consolidada
  • Base Aérea de Grand Forks, Dakota do Norte — desempenho em clima frio
  • Base Aérea de Whiteman, Missouri — única base de bombardeiros da Força Aérea no grupo
  • Base Naval de Kitsap, Washington — umidade marítima e ambiente operacional da Marinha

A avaliação operacional de um ano, iniciada neste outono, vai medir a confiabilidade de cada sistema, o esforço de manutenção e o custo real de propriedade — não apenas se o sistema consegue acertar um alvo em campo de testes. Um "confronto direto" (shoot-off) programado para dezembro de 2026 em Dugway Proving Ground, Utah, vai colocar os quatro sistemas lado a lado contra o mesmo conjunto de ameaças de drones. Os resultados dos testes nas bases e do confronto final devem orientar qual sistema — ou combinação de sistemas — o Pentágono vai comprar em escala para defesa permanente de instalações.


O que muda para o piloto brasileiro

Para pilotos recreativos e comerciais no Brasil, o programa americano não altera nenhuma regra da ANAC ou do DECEA — ele não tem efeito direto sobre onde você pode voar seu drone. O que importa é o sinal que ele dá: tecnologia de detecção e neutralização de drones está deixando de ser prototipo e virando infraestrutura rotineira em bases militares, numa velocidade que poucos pilotos imaginam.

Esse movimento tem um paralelo direto por aqui. O Exército brasileiro já testa radares antidrone como o Sagitta Primus, capazes de detectar aeronaves não tripuladas a 8 km de distância, e empresas como a Motorola investiram US$ 1,5 bilhão na compra da Dfend, fabricante de tecnologia antidrone, de olho justamente no mercado de segurança pública e infraestrutura crítica. O pano de fundo brasileiro é diferente do americano — aqui o problema mais urgente são os drones usados por facções criminosas para vigilância e ataques, não incursões sobre bases militares —, mas a lição é a mesma: a defesa contra drones hostis está se tornando um mercado de peso, e o piloto civil que voa perto de instalações sensíveis (presídios, bases militares, aeroportos) deve esperar fiscalização cada vez mais tecnológica. Sempre consulte as zonas proibidas para voar com drone antes de decolar perto de qualquer área restrita.



Fontes: Army Recognition | SOFX | DroneXL