
Exército testa 32 drones de ataque e reprova todos
O Exército Brasileiro testou 32 modelos de drones de ataque e kamikaze de 15 empresas — uma delas estrangeira — ao longo de dez dias no Centro de Avaliações do Exército (CAEx), no Rio de Janeiro, e não aprovou nenhum sistema para uso com armamento letal. Segundo o general de brigada Carlos Vasconcelos, diretor de fabricação da Força Terrestre, a munição apresentou falhas durante os testes, e a corporação vai precisar de cerca de seis meses para repetir a avaliação.
Os testes começaram na terça-feira, 30 de junho, e integram o Projeto Força 40, iniciativa de modernização que busca equipar as tropas com tecnologias já usadas em conflitos recentes, como os drones lançadores de explosivos e as munições circulantes (os chamados drones "kamikaze"). A informação foi revelada pelo Jornal da Band e detalhada pela Revista Sociedade Militar.
O que aconteceu nos testes do CAEx
Ao longo dos dez dias de avaliação, equipes técnicas do Exército submeteram os 32 modelos a cenários de uso real. Em um dos testes mais citados, um drone kamikaze tentou atingir um alvo posicionado a 1,5 quilômetro de distância enquanto operadores acompanhavam a ação de uma sala de controle — e não conseguiu concluir o ataque como esperado.
O general Vasconcelos resumiu o resultado de forma direta: a munição não funcionou como esperado. Nenhuma das 15 empresas participantes — a maioria brasileira, com um fornecedor estrangeiro — teve sistema aprovado para operar com carga letal nesta primeira fase. O Exército sinalizou que buscará parcerias com fabricantes cujos drones foram qualificados em outras etapas do processo e pretende retornar ao CAEx para repetir os testes em aproximadamente seis meses.
Equipamentos aprovados no futuro poderão ser adquiridos tanto da Base Industrial de Defesa nacional quanto de fornecedores estrangeiros, conforme o desempenho registrado nas próximas rodadas de avaliação.
Por que o Exército está correndo atrás de drones de ataque
A pressa tem uma causa concreta: o crime organizado no Brasil já opera drones armados. Facções como o Comando Vermelho já foram associadas a ataques com explosivos lançados por drone contra residências e policiais, um padrão que cresce à medida que a tecnologia fica mais barata e acessível fora do controle estatal.
Hoje, as polícias civil e militar brasileiras usam drones exclusivamente para monitoramento — levantamento de informações e acompanhamento de suspeitos — sem autorização para uso ofensivo. Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados propõe regulamentar o uso de drones armados por forças de segurança pública e Forças Armadas, mas ainda não tem data prevista para votação.
Um especialista ouvido pela reportagem resumiu o dilema: se o Estado não acompanhar a evolução tecnológica, a distância entre os recursos das forças legais e os equipamentos usados por organizações criminosas só aumenta. Para entender o quadro mais amplo da presença militar de drones no país, veja como o Exército Brasileiro já adotou o DJI Matrice 300 RTK como plataforma padrão de vigilância.
O que muda para o piloto brasileiro
Para o piloto civil e o operador comercial, o teste em si não altera nenhuma regra do SISANT ou do SARPAS — drones armados continuam fora do escopo de operação civil e permanecem restritos a forças de segurança e Forças Armadas, mesmo depois de eventualmente aprovados. O impacto direto está em outro ponto: a notícia expõe o quanto a fronteira entre uso civil e uso militar de drones ficou tênue no Brasil, com a mesma tecnologia de voo autônomo empregada em pulverização agrícola, inspeção e entrega sendo adaptada por facções criminosas para fins de ataque.
Esse pano de fundo também explica por que órgãos reguladores têm apertado o cerco sobre o cadastro e a rastreabilidade de equipamentos — do SISANT ao novo SARPAS obrigatório para drones sub-250 g, que entrou em vigor em 1º de julho. Quanto mais rastreável for a frota civil, mais fácil se torna diferenciar operações legítimas de uso criminoso. Para o contexto regulatório completo, veja o guia sobre a regulamentação de drones no Brasil e o debate ético mais amplo em drones militares e o direito internacional humanitário.
Fontes: Revista Sociedade Militar | Montedo
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