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DoorDash Air é a 8ª operadora de drone aprovada pela FAA

6 min de leituraLucas Buzzo
DoorDash Air é a 8ª operadora de drone aprovada pela FAA
Também disponível em inglês

A FAA concedeu ao DoorDash, em 29 de julho de 2026, a certificação Part 135 de transportador aéreo, liberando o DoorDash Air para entregas comerciais por drone nos Estados Unidos. A empresa se torna a oitava operadora do país a receber a licença — e a primeira grande marketplace de delivery a construir sua própria frota em vez de contratar um parceiro especializado.


O que é a certificação Part 135 da FAA

Part 135 é o certificado de transportador aéreo sob demanda da FAA (agência de aviação civil dos Estados Unidos) — a mesma categoria regulatória usada por serviços de helicóptero e táxi aéreo, agora estendida a drones que voam em BVLOS (Beyond Visual Line of Sight, ou além da linha de visada visual), quando o piloto remoto não precisa manter a aeronave à vista para operá-la legalmente. Conquistar o certificado exige uma revisão em cinco etapas — aeronavegabilidade da aeronave, programa de manutenção, procedimentos de despacho e sistemas de segurança — e transforma a empresa juridicamente em uma companhia aérea, responsável por suas próprias aeronaves, manual de operações e por cada voo realizado.

O DoorDash é apenas a oitava empresa a superar essa barreira nos EUA, entrando em uma lista curta que inclui Amazon Prime Air, Wing, Zipline, Matternet e Flytrex. Cada uma dessas empresas levou vários anos — e em alguns casos enfrentou reveses públicos — até conseguir a certificação. O DoorDash construiu e certificou sua própria aeronave por meio da DoorDash Labs, divisão interna de robótica e autonomia da empresa, em vez de firmar parceria com uma operadora de drones já estabelecida para a entrada no mercado americano.


Como funciona o DoorDash Air

O DoorDash projetou a própria aeronave — um drone fabricado nos Estados Unidos, com a maioria dos componentes de origem doméstica, segundo o anúncio oficial da empresa. Harrison Shih, responsável pelo DoorDash Air, descreveu a abordagem como integração vertical completa: "Estamos construindo toda a estrutura necessária para viabilizar isso, da infraestrutura em solo até o próprio drone."

Essa estrutura cobre o design da aeronave, a infraestrutura de decolagem e pouso, os procedimentos de retirada do pedido no estabelecimento, a sincronização de estoque, o despacho e o roteamento das entregas — tudo operado dentro do próprio aplicativo do DoorDash, sem um app ou portal separado. O foco são pedidos na faixa de 5 a 8 quilômetros, distância que representou mais de 20% do volume de pedidos do DoorDash em 2025 e levava cerca de 25% mais tempo para ser entregue de carro do que trajetos mais curtos. Nessa faixa, os voos de drone são concluídos em menos de 25 minutos em média, segundo a empresa.

Estabelecimentos parceiros no programa-piloto registraram aumento de quase 30% no volume de pedidos, sustentado ao longo de nove semanas após a ativação da entrega por drone em seus endereços. O DoorDash já soma mais de 10 bilhões de pedidos históricos em sua plataforma e afirma ter completado dezenas de milhares de entregas por drone em parcerias-piloto anteriores à certificação. As entregas comerciais sob o novo certificado devem começar no outono do hemisfério norte de 2026; o DoorDash ainda não revelou as primeiras cidades atendidas.


Como o DoorDash Air se compara a outras operadoras dos EUA

OperadoraModeloCertificada Part 135Escala notável
Amazon Prime AirVerticalmente integradaSimDiversos lançamentos em áreas metropolitanas dos EUA
Wing (Alphabet)Rede de parceirosSimMais de 400 mil entregas, parcerias com o Walmart
ZiplineRede de parceirosSimMais de 2,5 milhões de entregas no mundo
FlytrexParceiros + multimodalSimMais de 200 mil entregas por drone nos EUA
DoorDash AirVerticalmente integradaSim (nova, julho/2026)Dezenas de milhares via pilotos; alcance nacional do marketplace

A abordagem do DoorDash se aproxima da estratégia da Amazon: controlar a aeronave, a infraestrutura e o marketplace, em vez de licenciar capacidade de terceiros. É um contraste com o modelo multimodal da parceria Flytrex–Nash, anunciada na mesma semana, que distribui pedidos entre drones e entregadores humanos por meio de uma rede de parceiros, em vez de controlar as duas pontas.

Um certificado Part 135 não é uma autorização nacional geral — o DoorDash só pode voar nas áreas geográficas específicas listadas em suas especificações operacionais, então a expansão será gradual, mercado a mercado, e não simultânea em todo o país.


O que muda para o piloto brasileiro

O Brasil não tem um equivalente direto ao certificado Part 135, mas já vive uma transição regulatória parecida. A Speedbird Aero opera entregas comerciais por drone em parceria com o iFood desde 2019, com autorização da ANAC para voos BVLOS sobre áreas urbanas densas concedida em março de 2026 — usando a metodologia internacional SORA, a mesma linhagem regulatória que também embasa o Part 135 americano. Para autorização de espaço aéreo, o DECEA já opera o SARPAS, sistema que cumpre parte do papel que a FAA reserva à liberação de rotas BVLOS nos Estados Unidos.

O paralelo mais direto é regulatório: assim como o Part 135 tira o drone de entrega da categoria de exceção e o trata como transportador aéreo padrão, a nova RBAC 100 da ANAC também substituiu autorizações caso a caso por um modelo de risco escalável — o mesmo problema que os EUA tentam resolver com a regra Part 108, ainda em elaboração, que deve padronizar o caminho hoje percorrido por certificações pontuais como a Part 135.

Para quem já trabalha ou pretende entrar no mercado de entrega por drone no Brasil, o movimento nos EUA é um sinal de que operadores logísticos internacionais estão investindo pesado em frota própria e pessoal certificado para BVLOS — pressão que tende a aumentar a demanda por pilotos remotos com experiência em operações além da linha de visada também por aqui, à medida que empresas como a Speedbird ampliam suas rotas.



Fontes: Anúncio oficial do DoorDash | DRONELIFE | DroneXL