Skip to main content

STF abate drone durante sessão sobre Alexandre de Moraes

4 min de leituraLucas Buzzo
STF abate drone durante sessão sobre Alexandre de Moraes

A polícia judicial do Supremo Tribunal Federal (STF) abateu, por volta das 15h36 de terça-feira (15 de setembro de 2026), um drone não identificado que sobrevoava a Praça dos Três Poderes durante sessão extraordinária que analisava um pedido de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. O equipamento foi neutralizado com arma antidrone e nenhum material explosivo foi encontrado; a autoria do voo segue sem confirmação oficial.


O que aconteceu

O drone foi identificado sobrevoando as imediações do prédio-sede do STF, em Brasília, enquanto os ministros analisavam supostas trocas de mensagens entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master — caso que motivou a sessão extraordinária da Corte. A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) já havia bloqueado o acesso à praça e restringido o estacionamento nas vias ao redor da Esplanada dos Ministérios por causa do esquema de segurança reforçado.

Em nota, o STF confirmou que "um drone não identificado foi mitigado pela equipe da Polícia Judicial nas imediações do prédio" e que segue realizando patrulhamento com arma antidrone na região. Até a publicação desta matéria, nem a origem do sobrevoo nem a identidade do operador do equipamento haviam sido reveladas — o caso segue sob apuração.


A arma antidrone usada pelo STF

O equipamento usado para neutralizar o drone foi adquirido pela Corte após os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando invasores depredaram as sedes dos três Poderes em Brasília. Desde então, o STF passou a integrar armas antidrone ao conjunto de medidas de segurança do tribunal, ao lado de tecnologias de detecção e controle de drones e de sistemas modernos de controle de acesso e identificação de objetos, que dispensam os procedimentos tradicionais de revista em portais.

Segundo o STF, o uso da arma antidrone é avaliado conforme a necessidade de cada situação e passou a compor a infraestrutura permanente de segurança da Corte — não se trata de um recurso emergencial isolado, mas de rotina em sessões de alto risco, como a que analisava o caso Moraes-Vorcaro.


Zona de exclusão e regras para quem voa em Brasília

O incidente reforça um ponto que pilotos de drone no Brasil costumam subestimar: a Praça dos Três Poderes e seu entorno estão entre as áreas de restrição de voo mais rígidas do país, com regras que vão além da vedação genérica a aeroportos. Em abril de 2026, o próprio ministro Moraes já havia ampliado para 1 km a zona de exclusão de drones ao redor da residência de Jair Bolsonaro em Brasília, autorizando a PMDF a abater e apreender qualquer equipamento que violasse o perímetro — um precedente que mostra como a Corte trata sobrevoos não autorizados na capital federal.

Antes de decolar em qualquer área de Brasília, mesmo fora dos limites do Plano Piloto, o piloto deve consultar o SARPAS para verificar se a operação exige autorização prévia do DECEA, já que a maior parte do espaço aéreo da capital é controlada. Nosso guia de zonas proibidas para voar drone detalha como consultar essas restrições no SARPAS e na AISWEB antes de cada voo, o que evita autuações que podem incluir apreensão do equipamento.


O que muda para o piloto brasileiro

Para quem pilota drones no Brasil, o episódio não altera nenhuma regra do SISANT ou do SARPAS, mas confirma a tendência de resposta imediata — inclusive com abate do equipamento — a sobrevoos não autorizados sobre prédios públicos considerados sensíveis, como sedes dos Três Poderes, presídios e residências oficiais. Voar sobre a Praça dos Três Poderes sem autorização prévia do DECEA já era proibido antes deste episódio; o que muda é a evidência pública de que o STF está disposto a usar arma antidrone de forma rotineira, e não apenas como resposta a uma ameaça concreta.

Na prática, isso eleva o risco para operadores comerciais e recreativos que planejam sobrevoar áreas centrais de Brasília, mesmo com fins jornalísticos ou de entretenimento: além da multa da ANAC e da possível responsabilização criminal, existe agora um risco real de perda física do equipamento por neutralização eletrônica.



Fontes: ND Mais | O Antagonista | Metrópoles