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Exportação de drones da China: licença exigida em 18/11

5 min de leituraLucas Buzzo
Exportação de drones da China: licença exigida em 18/11
Também disponível em inglês

A China passará a exigir licença de exportação para motores de drones de grande porte, hélices grandes, pilotos automáticos e drones de longa autonomia a partir de 18 de novembro de 2026, segundo o Anúncio nº 49 do Ministério do Comércio, divulgado em 19 de outubro. A regra vale para o mundo todo, não só para os EUA. Drones de câmera de consumo não são o alvo, mas peças de drones agrícolas pesados podem ficar mais lentas e mais caras para chegar ao Brasil.


O que a China anunciou sobre exportação de drones

O anúncio foi publicado em conjunto pelo Ministério do Comércio, pela Administração-Geral de Alfândegas e pelo Departamento de Desenvolvimento de Equipamentos da Comissão Militar Central, segundo a DroneXL. A lista de controle deixa de depender do país de destino e passa a depender de limites técnicos: se o item ultrapassa o limite, precisa de licença.

Em agosto, a China já havia endurecido as regras para itens destinados aos EUA, como mostramos em China restringe exportação de drones aos EUA. Agora o controle é global. O ministério descreveu a mudança como uma "otimização" e disse, segundo a agência Xinhua, que drones antes considerados avançados viraram produtos de massa.


Quais drones e peças precisam de licença?

Precisam de licença motores e controladores de velocidade de alta potência, hélices grandes, drones capazes de voar além da linha de visada com grande autonomia e sistemas de pulverização acima de 80 litros em aeronaves autônomas ou BVLOS. A tabela resume os principais itens, conforme os dados divulgados.

CódigoO que cobreLimite
9A901Motores brushless e controladores de velocidade48 V ou mais, 3 kW ou mais, ao menos 3 kW/kg, até 3.000 rpm
9A901Hélices grandes de fibra de carbono30 pol. (762 mm) do centro, ou 25,5 pol. (648 mm) da raiz em hélices dobráveis
9A901Pás de passo variávelQualquer comprimento
9A012.aDrones que operam além da linha de visada3 horas ou mais de voo, ou 30 min a 3 h com voo estável em rajadas de 25 nós (46,3 km/h)
9A112Drones autônomos ou BVLOS com sistema de dispersão de aerossolMais de 80 litros, ou qualquer drone com alcance de 300 km ou mais
RádiosEnlaces de dados e estações de solo30 dBm de potência, ou uma estação controlando mais de 10 aeronaves

BVLOS (Beyond Visual Line of Sight) é o voo em que o piloto não enxerga a aeronave a olho nu. Entenda como funciona no Brasil em o que é BVLOS. Drones de hobby e de competição são isentos da regra de 300 km de alcance.


Como funciona o processo de licença?

Drones na faixa de 30 minutos a 3 horas de voo precisam apenas de um certificado de exportação registrado por remessa, não de licença completa. Os demais itens exigem licença, e exportadores com histórico regular podem pedir licenças gerais para embarques recorrentes.

Desde 19 de outubro vale também o Aviso nº 52 da alfândega. Se o exportador não comprova a licença e a alfândega suspeita de bem de uso duplo, a carga fica retida. O exportador tem 7 dias úteis para responder, a alfândega tem 15 dias úteis para decidir ou encaminhar o caso, e o ministério tem outros 15. Segundo a DroneXL, um representante da indústria de Shenzhen afirmou que as empresas terão um mês de transição para ajustar a documentação.


Drones agrícolas DJI Agras são afetados?

Ainda não é possível afirmar. A DJI lista o Agras T100 com tanque de 100 litros, acima do limite de 80 litros da categoria 9A112, mas essa categoria só vale para aeronaves autônomas ou BVLOS, e a condição não está confirmada para o modelo. A DJI também não publica potência nominal, densidade de potência nem comprimento de hélice, então não dá para saber se os motores cruzam os limites.

A DroneXL cita um representante do setor em Shenzhen segundo o qual os drones de pulverização comuns ficam, em geral, abaixo das novas linhas. Já o DJI Matrice 4, com resistência a vento de 12 m/s (cerca de 23 nós) e 49 minutos de voo, fica abaixo do teste de rajada de 25 nós.


O que muda para o piloto brasileiro

Quem voa drones de câmera, como as linhas Mini e Air, não deve sentir efeito direto, e aeronaves que você já possui não são afetadas. Segundo a análise do arquivo aberto da ANAC, a DJI responde por 85,4% dos 190 mil drones cadastrados no SISANT, e a maior parte é de aeronaves leves.

O impacto potencial está no agronegócio. Operadores de pulverização, de carga pesada e de inspeção de longa duração devem acompanhar prazos de entrega de motores, hélices e controladores de reposição depois de 18 de novembro, além de possível pressão de preço em unidades novas. Nosso guia de drone agrícola no Brasil explica os modelos do segmento, incluindo o DJI Agras T50, e o preço do Agras T55 e T100 no Brasil ajuda a planejar compras. Para entender o mercado de fabricantes, veja o guia completo de drones DJI.

Fabricantes fora da China que montam drones pesados com motores chineses devem checar fornecedores desde já. Se o produto exige ou não licença depende das especificações exatas, então peça ao fornecedor a classificação de exportação.



Fontes: DroneXL | Xinhua: perguntas e respostas do Ministério do Comércio | Xinhua: Anúncio nº 49 | Bloomberg