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Ucrânia dispara recorde de 1.000 drones contra Moscou

6 min de leituraLucas Buzzo
Ucrânia dispara recorde de 1.000 drones contra Moscou

A Ucrânia lançou, na madrugada de 20 de setembro de 2026, o maior ataque de drones da guerra contra Moscou, disparando mais de mil aeronaves não tripuladas durante o último dia das eleições parlamentares russas. Uma refinaria de petróleo na capital pegou fogo, ao menos três pessoas morreram e cerca de 20 ficaram feridas, segundo autoridades russas.

O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, chamou o episódio de "o mais massivo já registrado" contra a cidade e acusou Kiev de tentar atrapalhar o pleito. O governo ucraniano não comentou diretamente essa acusação, mas confirmou o uso combinado de drones e mísseis de fabricação própria contra alvos de infraestrutura energética e logística na Rússia.


Contexto: por que os ataques com drones aumentaram na guerra Rússia-Ucrânia

Desde o início de 2026, a Ucrânia tem ampliado sistematicamente os ataques de longo alcance contra refinarias e terminais de combustível em território russo, numa estratégia declarada de reduzir a capacidade de a Rússia processar petróleo e financiar o esforço de guerra. A maior parte desses ataques usa drones kamikaze (também chamados de munições circulantes) — aeronaves não tripuladas de baixo custo que voam até o alvo e explodem ao impacto, dispensando o retorno à base.

Esse tipo de guerra em massa, com centenas ou milhares de drones lançados numa única onda, é possível graças à combinação de baixo custo de fabricação, alcance ampliado e navegação cada vez mais autônoma — o mesmo princípio tecnológico por trás dos enxames de drones controlados por inteligência artificial que hoje avançam também no uso militar defensivo e, em versões civis, na agricultura e na logística.

O ataque de sábado para domingo ocorreu no encerramento de três dias de votação para a Duma Estatal (câmara baixa do parlamento russo), o que deu ao episódio um contorno político adicional além do militar.


Os números do ataque: quantos drones, danos e vítimas

Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, as forças russas interceptaram 1.110 drones ucranianos durante a noite em todo o território nacional — a maior cifra overnight já divulgada pelo órgão desde o início da guerra. Já o prefeito Sergei Sobyanin deu um número mais amplo, contabilizando também mísseis: mais de 1.600 alvos abatidos em várias frentes, dos quais 450 tinham como destino a região de Moscou.

Fonte oficialTotal interceptadoDirecionado a Moscou
Ministério da Defesa da Rússia1.110 drones (recorde overnight da guerra)Não detalhado
Prefeito de Moscou (Sergei Sobyanin)1.600+ (drones e mísseis, todas as frentes)450

Vários drones atingiram o território da refinaria de Moscou, em Kapotnya, atingindo a unidade primária de destilação de petróleo AVT-6, a unidade integrada de processamento de petróleo bruto e a unidade de isomerização, provocando grandes incêndios. Um complexo de armazéns na região de Sofrino, no subúrbio de Moscou, também foi atingido.

De acordo com autoridades russas, ao menos três pessoas morreram — duas no local e uma terceira depois, em hospital — e cerca de 20 ficaram feridas, incluindo três crianças.


Armas usadas e a resposta da Ucrânia

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou que as forças de Kiev usaram drones combinados com mísseis de cruzeiro de fabricação própria — os modelos Flamingo e Pelican — contra instalações ligadas à infraestrutura energética e logística russa. A Ucrânia não confirmou publicamente que o momento do ataque, coincidindo com o fim das eleições parlamentares, tenha sido deliberado, mas reiterou que o alvo estratégico segue sendo a capacidade russa de sustentar a guerra por meio de receita do petróleo.

Este episódio se soma a uma escalada que o PickDrones já vinha acompanhando em outras frentes da guerra, incluindo a primeira interceptação da OTAN de um drone dentro do território lituano, em setembro, e o aumento de incursões de drones associadas ao conflito sobre países vizinhos da Rússia e da Ucrânia.


O que muda para o piloto brasileiro

O Brasil não enfrenta drones de guerra em seu espaço aéreo, e nada muda na prática para quem registra ou voa um drone civil no país. Mas o episódio importa por dois motivos concretos. Primeiro, ele mostra a escala que a guerra com drones baratos e produzidos em massa já alcançou — tecnologia de autonomia e coordenação que, com o tempo, tende a baratear componentes e acelerar debates regulatórios também para o uso civil e comercial de drones no Brasil.

Segundo, o ataque acontece em meio a um debate legislativo brasileiro sobre o uso de drones como arma: a Câmara dos Deputados analisa atualmente o PL 2798/26, que aumenta para até 20 anos a pena por mortes causadas por drones e trata equipamentos armados como arma de fogo restrita. Casos como o de Moscou — com drones causando mortes e destruição em massa — tendem a alimentar esse tipo de discussão sobre controle e responsabilização também fora de contextos de guerra declarada, incluindo o uso de drones armados por facções criminosas já registrado em presídios e áreas de conflito urbano no Brasil.

A escala do episódio também é um lembrete prático de por que órgãos como ANAC e DECEA têm reforçado a exigência de identificação e autorização prévia de voo (SARPAS) no Brasil: quanto mais completo for o controle sobre quem tem autorização para voar, mais rápido um operador identifica uma aeronave fora do padrão — o mesmo raciocínio que move a defesa aérea russa e a OTAN a rastrear cada drone não identificado.



Fontes: CNN | Al Jazeera