Regras de Drone no Reino Unido: CAA, IDs e Multas 2026

Quem vai morar, estudar ou passar uma temporada no Reino Unido e pretende levar o drone na mala precisa saber que as regras locais mudaram de forma significativa em 1º de janeiro de 2026. A Civil Aviation Authority (CAA), autoridade equivalente à ANAC britânica, baixou o limite de cadastro obrigatório de 250g para 100g, criou um novo sistema de classificação UK0–UK6 para substituir as marcações C0–C6 da União Europeia, e reformulou o que o A2 Certificate of Competency realmente libera.
Diferente do Brasil, onde o cadastro no SISANT é gratuito e não existe exame de piloto para a maioria dos usos recreativos, o Reino Unido exige teste teórico, identificação paga e, para quem quer voar perto de pessoas, um certificado adicional. Este guia traduz cada exigência para quem está acostumado com as regras da ANAC e vai encarar o sistema britânico pela primeira vez.
Preciso de Flyer ID ou Operator ID no Reino Unido?
Você precisa do Flyer ID se for a pessoa que pilota o drone, e do Operator ID se for responsável legal pelo equipamento — na prática, a mesma pessoa na maioria dos casos recreativos. O Flyer ID é um teste teórico gratuito, válido por cinco anos; o Operator ID custa £12,34 por ano (cerca de R$ 85, câmbio de referência) e exige que o titular tenha 18 anos ou mais.
Comparando com o SISANT brasileiro: no Brasil o cadastro é único, gratuito e não separa "quem pilota" de "quem é responsável". No Reino Unido, as duas identidades são registros distintos:
| Flyer ID | Operator ID | |
|---|---|---|
| Quem precisa | Quem pilota o drone | Quem é responsável pelo drone |
| Idade mínima | Nenhuma (menores de 13 precisam de responsável) | 18 anos |
| Custo | Gratuito | £12,34/ano |
| Validade | 5 anos | 1 ano |
| Como obter | Teste online gratuito em register-drones.caa.co.uk | Cadastro online; ID deve ser afixado no drone |
| A partir de qual peso | Drones de 100g+ (qualquer tipo), ou com câmera a partir de 100g | Drones de 250g+, ou com câmera a partir de 100g |
Se você é dono do drone e também é quem pilota, o que descreve a maioria dos brasileiros levando drone de lazer para o Reino Unido, registre os dois ao mesmo tempo pelo portal oficial da CAA antes de embarcar. O Operator ID precisa estar fisicamente identificado no drone, como uma placa de carro em miniatura, para que qualquer pessoa que o encontre consiga rastrear o dono.
O que mudou nas regras do Reino Unido em 2026?
A mudança mais importante é o limite de cadastro: drones com 100g ou mais agora exigem Flyer ID, contra os antigos 250g. Um drone com câmera precisa de Operator ID já a partir de 100g; sem câmera, o Operator ID só é obrigatório a partir de 250g.
Essa redução de 250g para 100g pegou de surpresa muitos donos de drones pequenos com câmera, como o DJI Neo (135g) e modelos FPV similares, que antes escapavam de qualquer exigência de cadastro. A brecha para drones "de brinquedo com câmera" praticamente acabou.
A outra grande mudança é o sistema de classificação. O Reino Unido agora emite suas próprias marcações UK0 a UK6 em vez de depender do sistema C0–C6 da União Europeia. Se você comprou um drone antes de 1º de janeiro de 2026 sem nenhuma marcação de classe (nem UK, nem EU), ele agora é classificado como "legacy" (legado), e seus privilégios de voo dependem só do peso. Um drone legado abaixo de 250g continua na subcategoria A1 (sobre pessoas); entre 250g e 25kg, cai automaticamente em A3 (longe de pessoas), a menos que o piloto tenha o certificado A2 CofC — nesse caso, um drone legado abaixo de 2kg pode operar em A2, mas com distâncias de separação maiores que um drone já com marcação de classe.
As marcações C da União Europeia não morreram ainda: a CAA vai continuar reconhecendo C1 como equivalente a UK1, C2 como UK2, e assim por diante, até 31 de dezembro de 2027. Depois dessa data, todo drone com marcação EU ainda em uso vira "legado" pelas regras britânicas.
Voo noturno também ganhou uma exigência nova: o drone precisa ter uma luz verde piscante visível para outros usuários do espaço aéreo depois do anoitecer.
Categorias A1, A2 e A3: qual se aplica ao seu drone?
A Categoria Aberta (Open Category) do Reino Unido se divide em três subcategorias, e qual delas se aplica depende do peso do drone, da marcação de classe e, no caso da A2, de você ter ou não o certificado.
A1 (Sobre Pessoas) cobre os voos de menor risco. Drones abaixo de 250g, ou com marcação UK0/UK1 (equivalentes a C0/C1), podem voar perto de pessoas não envolvidas na operação e até sobrevoá-las rapidamente, mas nunca sobre aglomerações. Não é exigido nenhum certificado além do Flyer ID.
A2 (Perto de Pessoas), categoria que teve o nome oficial atualizado em 1º de janeiro de 2026, exige o A2 Certificate of Competency (A2 CofC) para qualquer drone acima de 250g. Ela cobre drones com marcação UK2/C2 de até 4kg e permite voar com apenas 30 metros de distância horizontal de pessoas não envolvidas em modo normal, ou 5 metros no modo de baixa velocidade do drone. Um drone legado abaixo de 2kg também pode voar sob as regras da A2 se o piloto tiver o certificado, embora com distância de separação maior do que um drone já classificado.
A3 (Longe de Pessoas) é a categoria padrão para o que não se encaixa em A1 nem A2: drones entre 250g e 25kg sem A2 CofC, ou drones mais pesados com marcação UK3/C3/UK4/C4. É preciso manter pelo menos 50 metros de qualquer pessoa não envolvida e 150 metros de áreas residenciais, recreativas, comerciais ou industriais. Essa faixa de 150 metros costuma pegar pilotos brasileiros de surpresa, já que na prática ela inviabiliza voar na maioria das cidades e subúrbios britânicos, a menos que o drone se enquadre em A1.
Como obter o A2 Certificate of Competency?
O A2 CofC exige uma prova teórica de pelo menos 30 questões de múltipla escolha sobre meteorologia, desempenho de voo do drone e mitigação de risco no solo, aplicada por uma Recognised Assessment Entity (RAE) credenciada pela CAA. O custo varia de £99 a £180 (aproximadamente R$ 690 a R$ 1.250) dependendo do provedor, e o certificado vale por cinco anos.
É preciso ter um Flyer ID válido antes de fazer a prova do A2 CofC. A maioria das RAEs aplica o teste online, embora algumas ainda ofereçam sessões presenciais. Depois de aprovado, o certificado permite voar consideravelmente mais perto de pessoas e propriedades do que as regras básicas de A1/A3 autorizam — relevante para quem pretende fazer trabalhos remunerados de fotografia ou filmagem durante a estadia no país.
Onde é permitido (e proibido) voar no Reino Unido
Aeroportos são o limite intransponível. Todo aeródromo, aeroporto, heliporto e spaceport protegido no Reino Unido tem uma Flight Restriction Zone (FRZ), que costuma se estender de 2 a 2,5 milhas náuticas a partir do ponto de referência do aeroporto e até 2.000 pés (cerca de 610 metros) de altura. Voar dentro de uma FRZ sem permissão explícita do controle de tráfego aéreo, ou do próprio operador do aeroporto quando não há torre ativa, é ilegal independentemente do peso do drone ou das qualificações do piloto.
As FRZs não são círculos simples: a maioria inclui uma "zona de proteção de pista" que se estende por cerca de 5km de comprimento e 1km de largura a partir da cabeceira de cada pista, seguindo as rotas de pouso e decolagem. A forma prática de checar antes de voar é o mapa de restrições aéreas da NATS ou um aplicativo como o Drone Assist, que sobrepõe em tempo real os limites de FRZ, restrições temporárias e outras zonas de exclusão sobre a sua localização — o equivalente britânico ao que o Mapa Dinâmico do DECEA faz no Brasil.
Fora dos aeroportos, valem as regras gerais da categoria aberta: 50 metros de pessoas não envolvidas (A3) ou apenas 5 metros (A2, com certificado e drone da classe certa), e 150 metros de áreas residenciais, recreativas, comerciais e industriais, a menos que o drone se enquadre em A1. Qualquer voo fora desses limites, como operações além da linha de visada ou autônomas, exige autorização na Specific Category, categoria equivalente a uma autorização SARPAS mais rigorosa que a brasileira.
O que acontece se você desrespeitar as regras no Reino Unido?
As multas por infrações com drone no Reino Unido chegam a £2.500 (cerca de R$ 17.400) para violações como voar sem cadastro ou desrespeitar distâncias de separação, e até £1.000 para infrações menores, dependendo da regra quebrada. Voar dentro de uma Flight Restriction Zone sem permissão, ou colocar em risco uma aeronave tripulada, vira caso criminal e pode resultar em até cinco anos de prisão.
| Infração | Penalidade típica |
|---|---|
| Voar sem Flyer ID ou Operator ID | Multa, possível apreensão do equipamento |
| Desrespeitar distâncias de separação (A1/A2/A3) | Multa de até £2.500 |
| Voar em Flight Restriction Zone sem permissão | Processo, multa, possível confisco do drone |
| Colocar em risco uma aeronave em voo | Até 5 anos de prisão |
A fiscalização britânica é rigorosa: o Operator ID permite rastrear o drone até o dono, e qualquer incidente perto de aeroporto costuma gerar parada de operações e atenção imediata da polícia local. Para quem está acostumado com a fiscalização mais informal do Brasil em áreas fora de grandes centros, vale o alerta: registre-se antes de voar, confira o mapa de FRZ antes de qualquer voo perto de aeroporto, e não presuma que um drone pequeno está isento — o novo limite de 100g cobre praticamente qualquer drone com câmera vendido hoje.
Reino Unido vs Brasil vs Estados Unidos: comparando as regras
| Reino Unido | Brasil | Estados Unidos | |
|---|---|---|---|
| Órgão regulador | CAA | ANAC / DECEA | FAA |
| Limite de cadastro | 100g (qualquer drone) | 250g (SISANT) | 250g (recreativo); todo uso comercial |
| Credencial do piloto | Flyer ID (grátis) + Operator ID (£12,34/ano) | Nenhuma para a maioria dos usos recreativos | TRUST (grátis) ou Part 107 (US$ 175) |
| Voo perto de pessoas sem certificado extra | Só classe UK0/A1 (sub-250g) | Regras por classe de uso conforme RBAC-E 94 | Caso a caso, sob dispensa da Part 107 |
| Certificado avançado | A2 CofC (£99–£180) | Curso de piloto remoto (opcional para a maioria) | Certificado de piloto remoto Part 107 |
Se você pilota comercialmente também nos Estados Unidos, veja nosso guia da licença Part 107 da FAA para entender o lado americano dessa comparação, ou o guia de regras de drone na Europa caso pretenda voar também em países da União Europeia — o Reino Unido divergiu das regras da EASA depois do Brexit, mas ainda segue a mesma lógica de categorias abertas. E para entender como tudo isso se compara ao que vale aqui, nosso guia de regulamentação de drones no Brasil traz o cenário completo da ANAC e do DECEA.
Levando o drone para o Reino Unido: o que verificar antes
Se você vai comprar um drone pensando na viagem ou temporada no Reino Unido, peso e marcação de classe decidem quase tudo sobre onde você poderá voar legalmente. Nosso guia de melhores drones para iniciantes cobre modelos abaixo de 250g que ficam na subcategoria A1, com a menor exigência de cadastro. Drones mais pesados, em geral, só ganham flexibilidade real perto de pessoas com o A2 CofC. Antes de embarcar, confira também nosso guia de como viajar de avião com drone, já que as regras de bateria de lítio e bagagem de mão da IATA se aplicam ao trecho aéreo até chegar ao Reino Unido.
FAQ
Fontes: UK Civil Aviation Authority - Flyer IDs and Operator IDs | UK CAA - A2 Certificate of Competency | UK CAA - The Drone and Model Aircraft Code (CAP2320, março de 2026) | UK CAA - Where You Can Fly
Mais como este
Artigos Relacionados

Regras de Drone na Europa: Categorias EASA em 2026
Quem vai voar drone na Europa em 2026 precisa entender as categorias EASA: Open, Specific e Certified. Veja classes C0-C4, licença…

Part 107 da FAA: Como Voar Drone Comercial nos EUA (2026)
No Brasil não existe licença de piloto de drone, mas nos EUA sim: a Part 107 custa US$ 175 e é obrigatória para voo comercial. Vej…

O que é BVLOS? Voo além da linha de visada (2026)
BVLOS é voar o drone além do que você enxerga. Entenda o que significa, por que exige autorização, como funciona no Brasil (ANAC e…