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Drone Russo Quase Atinge Avião de Zelensky na Moldávia

5 min de leituraLucas Buzzo
Drone Russo Quase Atinge Avião de Zelensky na Moldávia

Um drone russo quase atingiu o avião do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky na terça-feira (8 de setembro de 2026), enquanto a aeronave se preparava para decolar do Aeroporto Internacional de Chișinău, na Moldávia. O premiê da Noruega, Jonas Gahr Støre, revelou o incidente publicamente no dia seguinte; Moldávia, Ucrânia e Rússia minimizaram a gravidade do episódio.


Como aconteceu a aproximação do drone

Zelensky viajava de Chișinău a Oslo para o funeral do rei Harald V da Noruega quando as autoridades moldavas fecharam o espaço aéreo do país após detectarem a incursão de pelo menos dois drones russos do tipo propulsão a jato, na noite de terça-feira. A decolagem do avião presidencial ficou suspensa até que as equipes de segurança confirmassem que a ameaça havia sido neutralizada.

Segundo o relato do premiê norueguês à emissora pública NRK, um dos drones caiu em um campo ao norte da capital moldava, provocando um princípio de incêndio, enquanto o segundo prosseguiu voo e cruzou para o espaço aéreo da vizinha Romênia. O avião de Zelensky decolou de Chișinău por volta das 17h57 (horário local) e pousou em Oslo na noite de terça-feira sem intercorrências.


Versões conflitantes: Moldávia e Ucrânia minimizam o risco

Enquanto Støre classificou o episódio como um quase-acidente que colocou em risco a vida do presidente ucraniano, os governos da Moldávia e da própria Ucrânia rebaixaram o tom da narrativa. Autoridades em Chișinău afirmaram que o drone caiu a cerca de 160 quilômetros do aeroporto, distância que, segundo elas, afasta qualquer risco real à aeronave presidencial. Uma fonte da presidência ucraniana disse à agência AFP que a versão de que Zelensky esteve em perigo foi "exagerada".

Do lado russo, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, negou que qualquer ameaça tenha existido. A divergência entre os relatos — um alerta de segurança real segundo Oslo, um incidente menor segundo Chișinău e Kiev, e uma negação completa segundo Moscou — é comum em episódios de incursão de drones perto de zonas de conflito, quando a distância exata entre o objeto voador e o alvo raramente é confirmada de forma independente em tempo real.


Parte de um padrão: Moldávia já registrou 17 incursões só em agosto

O incidente não é isolado. Autoridades moldavas alertaram para o aumento das violações de seu espaço aéreo, contabilizando a queda de destroços de 17 drones russos somente em agosto de 2026. A Moldávia, país não integrante da OTAN mas fronteiriço com a Ucrânia e a Romênia, tem servido como rota frequente para drones desviados de ataques russos contra portos ucranianos no rio Danúbio.

O segundo drone do episódio de terça-feira, que cruzou para a Romênia, reforça esse padrão regional: a Romênia — essa sim membro da aliança — já havia abatido dois drones suspeitos de serem russos em menos de 24 horas em julho de 2026, na primeira interceptação do tipo feita por um país da OTAN desde o início da guerra. Drones jato-propulsão, como os suspeitos de estarem envolvidos no caso de Chișinău, são uma evolução dos tradicionais Shahed iranianos: voam mais rápido e a maior altitude, o que reduz o tempo de reação das defesas antiaéreas.


O que muda para o piloto brasileiro

O episódio na Moldávia não tem relação direta com o espaço aéreo brasileiro, mas ilustra um problema que a aviação civil do Brasil também monitora em menor escala: a dificuldade de confirmar, em minutos, se um drone não identificado representa risco real a uma aeronave tripulada. No Brasil, esse risco hoje vem majoritariamente de voos não autorizados de particulares perto de aeroportos — como o caso registrado no Galeão em 2026 — e não de armamento de guerra, mas o desafio técnico de detecção e resposta rápida é o mesmo que orienta o investimento crescente em sistemas antidrone nacionais.

Para pilotos e operadores que acompanham o mercado de defesa, vale entender a diferença entre as categorias de aeronaves não tripuladas — do drone recreativo ao modelo militar armado — no guia Tipos de Drones, e as implicações éticas e jurídicas do uso de drones em conflitos armados no artigo Drones Militares e o Direito Internacional Humanitário. O caso também reforça por que a ANAC e o DECEA têm endurecido as regras de acesso ao espaço aéreo brasileiro ao longo de 2026: quanto mais rastreável for cada voo autorizado via SARPAS, mais rápido se torna diferenciar um drone legítimo de uma ameaça real.



Fontes: Kyiv Independent | Euronews