DJI AP100: paraquedas libera BVLOS no Matrice 400

A DJI lançou, em 8 de julho de 2026, o AP100, seu primeiro paraquedas de recuperação para drones corporativos. Instalado no Matrice 400, o sistema pesa 935 gramas, aciona em menos de 600 milissegundos e permite que o drone receba a classificação europeia C6, liberando voos BVLOS (Beyond Visual Line of Sight, além da linha de visada visual do piloto) sobre áreas povoadas na União Europeia e no Reino Unido.
Por que a DJI entrou nesse mercado agora
Até o lançamento do AP100, quem precisava de recuperação por paraquedas para operar um drone DJI sobre pessoas dependia de fabricantes terceiros, como a AVSS e a ParaZero — empresas que homologam seus próprios sistemas para aeronaves de diferentes marcas. Com o AP100, a DJI passa a competir diretamente com esses fornecedores e integra o paraquedas nativamente ao Pilot 2 e ao FlightHub 2, os softwares de controle e gestão de frota da própria fabricante.
O movimento acompanha a exigência crescente de reguladores europeus por camadas de segurança redundantes antes de autorizar drones a voar sobre cidades sem um piloto observando a aeronave a olho nu — justamente o cenário BVLOS que operadoras de inspeção, mapeamento e segurança pública querem viabilizar em escala.
Como funciona o AP100
O sistema é montado na traseira do Matrice 400 e opera com controle de voo, sensores e alimentação elétrica independentes da aeronave principal — ou seja, continua funcional mesmo se o drone perder energia. As especificações divulgadas pela DJI incluem:
| Especificação | Valor |
|---|---|
| Peso | 935 g |
| Tempo de acionamento | menos de 600 ms |
| Velocidade de descida | menos de 5 m/s |
| Autonomia da bateria reserva | até 1 hora (capacitores duplos) |
| Faixa de temperatura | -20°C a 50°C |
| Proteção | IP55 |
| Custo em autonomia de voo | cerca de 6 minutos |
O acionamento é automático caso o drone ultrapasse os limites de uma geocerca pré-configurada, e o peso total máximo de decolagem do Matrice 400 (15,8 kg) é mantido mesmo com o paraquedas instalado. Por outro lado, a instalação desativa os radares de milímetro voltados para baixo e para trás da aeronave, e o mecanismo de ejeção pirotécnica é de uso único: a DJI recomenda substituição a cada acionamento e aposentadoria do sistema após três anos de uso.
O que muda na certificação europeia
O detalhe que torna o AP100 mais do que um acessório de segurança é regulatório. Drones equipados de fábrica com o sistema recebem a classificação EASA C6 (Europa) ou UK CAA UK6 (Reino Unido) — categorias que autorizam operações BVLOS sobre áreas povoadas dentro do padrão STS-02 (Standard Scenario 02). Aparelhos que já estão em campo podem ser enviados à DJI para retrofit e alcançar a classificação C5/UK5, que libera sobrevoo de pessoas não envolvidas na operação (categoria STS-01), mas não chega ao patamar C6/UK6 necessário para BVLOS — essa certificação completa só sai de fábrica.
O sistema atende às declarações MOC 2511 e MOC 2512 e à norma ASTM F3322, usadas como referência técnica para certificação de paraquedas de recuperação em drones. Nos Estados Unidos, o AP100 não está disponível: a DJI não menciona o mercado americano no anúncio, reflexo das restrições da FCC Covered List em vigor desde 22 de dezembro de 2025, que impedem a homologação de novos equipamentos DJI no país.
O que muda para o piloto brasileiro
O Brasil não segue o modelo europeu de classificação por hardware, mas caminha na mesma direção regulatória: liberar voos BVLOS sem depender de um piloto observando o drone a olho nu. Desde 1º de julho de 2026, o DECEA opera o BR-UTM, sistema que já libera autorização instantânea para operações BVLOS em áreas cadastradas — uma abordagem baseada em gerenciamento de tráfego aéreo digital, e não em certificação prévia do equipamento como na Europa.
Ainda assim, o caso do AP100 é um sinal para quem opera ou pretende importar um Matrice 400 no Brasil: a versão vendida hoje no país não sai de fábrica com o paraquedas nem com a classificação C6 europeia, então a liberação para sobrevoo de áreas povoadas continua dependendo das regras da ANAC e da autorização do DECEA via SARPAS, e não de um selo de certificação estrangeiro. Operadores de inspeção, mapeamento e segurança pública que avaliam a compra de um Matrice 400 devem verificar diretamente com a DJI Enterprise se e quando uma configuração equivalente ao AP100 chega ao mercado brasileiro. Para quem ainda não domina os conceitos por trás dessas regras, vale revisar o que é BVLOS e como ele se diferencia do voo tradicional dentro do alcance visual, além de conferir a linha completa de drones DJI disponível no mercado.
FAQ
Fontes: DroneXL | DJI Enterprise
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