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Anduril Fury: Fábrica em Ohio Inicia Produção em Série

6 min de leituraLucas Buzzo
Anduril Fury: Fábrica em Ohio Inicia Produção em Série

Em 27 de julho de 2026, a Anduril Industries mostrou pela primeira vez uma unidade do drone de combate Fury — batizado YFQ-44A nos testes e redesignado FQ-44 na fase de produção — fabricada em série na Arsenal-1, sua fábrica em Ashville, Ohio. O evento marca a transição do programa: de protótipo montado à mão na Califórnia para produção industrial em massa, com capacidade de até 150 aeronaves por ano para a Força Aérea dos Estados Unidos.


O que é o programa CCA e por que o Fury importa

O Fury é a aposta da Anduril no Collaborative Combat Aircraft (CCA), programa da Força Aérea americana para desenvolver drones de combate que voam em formação com caças tripulados, como o F-35 e o F-22. Esse conceito é chamado de "ala leal" (loyal wingman): o drone autônomo acompanha o piloto humano, absorve risco em missões perigosas e pode carregar sensores ou armamento próprio, tudo coordenado por inteligência artificial embarcada — o mesmo tipo de autonomia que já discutimos em drones e inteligência artificial.

Tecnicamente, o Fury é movido por um motor de jato executivo comercial, tem cerca de 5 mil peças individuais e aproveita aproximadamente 94% de componentes já disponíveis no mercado — uma escolha de engenharia pensada para acelerar a fabricação em grande escala, ao contrário de caças tripulados tradicionais, que levam décadas para sair do papel.

O drone já não é só um conceito de pranchetas: em 10 de julho de 2026, uma unidade YFQ-44A disparou pela primeira vez um míssil AIM-120 em teste no deserto do Mojave, na Califórnia, o primeiro disparo de armamento por um drone de combate autônomo americano.


Da oficina em Costa Mesa à linha de montagem em série

Até o início de 2026, os protótipos do Fury eram montados artesanalmente na sede da Anduril em Costa Mesa, Califórnia. A produção em série começou em março de 2026 na Arsenal-1, a primeira fábrica de grande escala da empresa, erguida em Ashville, cerca de 30 minutos ao sul de Columbus.

Hoje, a planta opera em três turnos e tem capacidade para montar até 12 aeronaves por mês — o equivalente a 150 unidades por ano. O quadro atual é de cerca de 140 funcionários na Arsenal-1, mas a Anduril já anunciou 95 vagas abertas apenas em Ashville, dentro de um plano que prevê 4.008 empregos diretos no estado até a conclusão do projeto.

MarcoData
Anúncio da Arsenal-1Janeiro de 2025
Escolha do Fury como 1º programa da fábricaJaneiro de 2026
Início da produção em sérieMarço de 2026
1º disparo de míssil em teste10 de julho de 2026
1ª unidade de série exibida publicamente27 de julho de 2026

Contrato duplo com a Força Aérea e a disputa com a General Atomics

Em 18 de junho de 2026, a Força Aérea dos EUA anunciou os contratos de produção do CCA com quatro meses de antecedência sobre o cronograma original — e, de forma pouco comum, escolheu dois vencedores em vez de um só. A Anduril segue com o Fury (FQ-44), enquanto a General Atomics segue com seu concorrente direto, o Gambit/FQ-42 (batizado Dark Merlin pela imprensa especializada).

O secretário da Força Aérea, Troy Meink, justificou a decisão dizendo que a dupla contratação permite "colocar em campo sistemas semiautônomos altamente confiáveis e prontos para o combate" sem depender de um único fornecedor. A meta declarada é ter mais de 150 CCAs prontos para combate até o fim da década, distribuídos entre os dois fabricantes.


Investimento bilionário e o maior programa de empregos da história de Ohio

A Arsenal-1 é o maior projeto de manufatura de defesa dos EUA em anos: mais de 5 milhões de pés quadrados (cerca de 465 mil m²) de área industrial, com investimento total da Anduril estimado em US$ 910 milhões. O estado de Ohio, por sua vez, aprovou US$ 310 milhões em incentivos via JobsOhio ao longo de dez anos, além de créditos fiscais que podem superar US$ 450 milhões até 2055.

Segundo a Anduril, os 4.008 empregos diretos prometidos superam o recorde anterior do estado, estabelecido pela fábrica de semicondutores da Intel. O governador Mike DeWine resumiu a lógica por trás da escolha: "Há uma razão para a Anduril ter vindo para cá... a CNBC classificou Ohio como o ambiente de negócios número 1 do país."


O que muda para o piloto brasileiro

Nada muda na regulamentação da ANAC, do DECEA ou da ANATEL a partir dessa notícia — o Fury é um sistema militar americano, sem operação civil e sem venda comercial no Brasil. Mas o caso ilustra um movimento que também acontece por aqui: a fabricação de drones de defesa deixando de ser projeto de bancada e virando linha de produção industrial.

No Brasil, a XMobots, fabricante do Nauru 1000C usado pelo Exército em missões de reconhecimento, recebeu aporte da Embraer e já apresentou uma versão armada do Nauru 100D como veículo de combate não tripulado na feira LAAD Security 2026. É a mesma lógica do CCA americano em escala menor: transformar drones autônomos em ativo operacional real das Forças Armadas, e não apenas em demonstrador tecnológico.

Para quem pilota drone civil ou comercial no Brasil, o recado indireto é sobre para onde vai a tecnologia: autonomia embarcada, coordenação por IA e produção em série deixaram de ser exclusividade militar e devem, nos próximos anos, baratear componentes e acelerar a chegada de recursos autônomos também em drones agrícolas, de inspeção e de segurança pública — como já vimos em equipamentos antidrone usados pela Polícia Federal nas eleições de 2026.



Fontes: Air & Space Forces Magazine | WVXU | Dayton Daily News