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FCC veta laboratórios da China em testes; 82% afetados

4 min de leituraLucas Buzzo
FCC veta laboratórios da China em testes; 82% afetados

A FCC, agência que regula telecomunicações nos Estados Unidos, aprovou por unanimidade em 29 de outubro de 2026 o veto aos laboratórios da China no programa de certificação de dispositivos sem fio. Em 2025, laboratórios chineses testaram 82% dos aparelhos novos autorizados no país. A regra mira os testes, não proíbe drones por si só, e começa a valer em dezembro de 2028.


O que a FCC aprovou em 29 de outubro?

A FCC votou na quinta-feira (29) para barrar laboratórios chineses do programa de certificação de equipamentos de rádio, segundo a Broadband Breakfast. A votação foi unânime, de 3 a 0, de acordo com a NTD.

Laboratório de teste é a instalação que a FCC reconhece para medir se produtos que emitem rádio, como drones, controles remotos e carregadores, cumprem as regras técnicas antes de serem vendidos nos EUA.

A regra vale também para laboratórios de outros países que não deem tratamento recíproco aos laboratórios americanos. O rascunho do texto previa que o reconhecimento dos laboratórios da China terminasse em 1º de dezembro de 2028, conforme o projeto de ordem da FCC.


Quantos aparelhos são testados na China?

Segundo o rascunho da FCC, laboratórios na China testaram 82% dos dispositivos que pediram autorização em 2025, enquanto laboratórios nos EUA testaram menos de 4%. O dado explica por que a medida pode atingir toda a cadeia de eletrônicos, inclusive câmeras de ação, controles e baterias.

IndicadorValor (rascunho da FCC)
Aparelhos testados na China em 202582%
Aparelhos testados nos EUA em 2025menos de 4%
Fim do reconhecimento dos laboratórios chineses1º de dezembro de 2028
Votação em 29/10/20263 a 0

A decisão se soma às regras de laboratórios "ruins" (bad labs), que já retiraram o reconhecimento de laboratórios controlados por entidades consideradas ameaça à segurança nacional. A Korea Times e outros veículos associaram o momento da votação à proximidade de um encontro entre Trump e Xi Jinping.


Isso proíbe os drones da DJI nos EUA?

Não. A votação trata de quem pode testar os produtos, e não de quais marcas podem ser vendidas. O banimento de drones estrangeiros vem de outra medida: a inclusão desses drones e de componentes críticos na Covered List (lista de equipamentos que não recebem novas autorizações), em dezembro de 2025.

Para entender o cenário completo, leia nosso guia sobre se a DJI é proibida nos EUA. Sobre a restrição de peças, veja também a notícia sobre o veto a componentes DJI e Autel em 13/10.

A cobertura especializada aponta que linhas como as câmeras Osmo, que não são drones, são testadas em laboratórios na China. Controladores, carregadores e baterias chineses também precisariam de testes em outro país para receber novas autorizações depois do prazo.


O que muda para o piloto brasileiro

Para quem voa no Brasil, nada muda hoje. A regra é americana e não altera o registro na ANAC, a autorização do DECEA via SARPAS nem a venda de drones no mercado brasileiro.

O reflexo é indireto. Fabricantes que vendem para os EUA podem ter mais custo e prazo para certificar novos produtos, o que pode atrasar lançamentos globais ou encarecer acessórios. Equipamentos que você já tem e as autorizações já emitidas não são afetados, segundo o texto do rascunho.

  • Quem já tem drone: sem impacto. O voo segue regido por ANAC e DECEA.
  • Quem pretende comprar: acompanhe lançamentos e prazos de chegada ao Brasil, que dependem da estratégia de cada fabricante.
  • Quem importa: a mudança americana não altera a homologação da Anatel no Brasil.


Fontes: Broadband Breakfast | NTD | Korea Times | FCC, rascunho da ordem