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Câmeras flagram drone levando pistola a presídio no Amapá

4 min de leituraLucas Buzzo
Câmeras flagram drone levando pistola a presídio no Amapá

Um drone lançou uma pistola calibre 9mm com numeração raspada dentro do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen), em Macapá, na madrugada de sábado, 1º de agosto de 2026. Câmeras de videomonitoramento e a Divisão de Operações com Drones (Deod) flagraram o voo em tempo real, e a Polícia Penal apreendeu a arma antes que chegasse a um detento.


Como a Polícia Penal interceptou o drone

Segundo o Iapen, o sobrevoo foi detectado pelas câmeras de segurança da unidade, que identificaram um objeto estranho sendo transportado por um drone em direção ao pátio da Penitenciária Masculina. A Deod, setor especializado da Polícia Penal em monitorar o espaço aéreo sobre as unidades prisionais do estado, acompanhou a trajetória da aeronave até o momento em que o pacote foi lançado.

Três frentes de segurança do Iapen foram mobilizadas para a operação de busca em solo. Os agentes localizaram e apreenderam o pacote, que continha uma pistola 9mm com o número de série raspado — dificultando a identificação da origem da arma — e um carregador correspondente, sem munição. Nenhuma prisão foi anunciada até a publicação desta reportagem; a origem do voo e os responsáveis pelo envio seguem sob investigação.


Segundo caso no mesmo presídio em menos de um mês

O episódio é o mais recente de uma sequência de tentativas de abastecer presídios brasileiros por via aérea. No mesmo Iapen, em 16 de julho de 2026, a Polícia Civil já havia flagrado um drone DJI Mavic 4 Pro levando drogas e celulares para dentro da unidade, resultando na prisão de um cineasta de 26 anos e em um prejuízo estimado de R$ 700 mil ao crime organizado. Fora do Amapá, presídios de Dourados e Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, registraram ao menos três flagrantes semelhantes entre 10 e 25 de julho.

A diferença do caso mais recente é o tipo de carga: em vez de drogas ou eletrônicos, o pacote continha uma arma de fogo pronta para uso, o que eleva o risco para a segurança interna da unidade e reforça a pressão das autoridades penitenciárias por sistemas de detecção mais robustos ao redor de presídios — hoje concentrados principalmente em aeroportos e grandes eventos.


O que muda para o piloto brasileiro

O caso não altera as regras para quem voa drone dentro da lei, mas reforça um ponto que a nova regulamentação da ANAC e do DECEA tenta endereçar desde 1º de julho de 2026: a exigência de autorização prévia via SARPAS para praticamente qualquer voo no espaço aéreo brasileiro, prevista na ICA 100-40. Nenhum dos voos usados para abastecer presídios passou por essa autorização — o que mostra que a regra pesa sobre o piloto que cumpre a lei, sem impedir quem já age na ilegalidade.

Para pilotos comerciais e recreativos, o recado prático segue o mesmo de casos anteriores: manter o cadastro no SISANT e a autorização SARPAS em dia, e evitar sobrevoos não autorizados perto de presídios, delegacias e outras instalações sensíveis — áreas que tendem a receber vigilância redobrada após episódios como o de Macapá. Quem quiser entender zonas restritas e penalidades em detalhe pode consultar o guia de regulamentação de drones no Brasil e o mapeamento de zonas proibidas para voar drone.



Fontes: AC24horas | Diário do Amapá