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DJI EV50: drone eVTOL bate recorde no Everest a 8.861 m

6 min de leituraLucas Buzzo
DJI EV50: drone eVTOL bate recorde no Everest a 8.861 m
Também disponível em inglês

A DJI revelou em 9 de julho de 2026 o EV50, sua primeira aeronave eVTOL (decolagem e pouso vertical elétricos) de carga, depois de 12 voos de teste em grande altitude no Monte Everest que chegaram a 8.861 metros — acima dos 8.849 m do cume da montanha. O anúncio, feito por meio de um comunicado com três missões distintas no Everest, não trouxe preço, data de lançamento ou mercados-alvo para o novo drone.

Além do EV50, a mesma expedição colocou em campo o drone de carga pesada FlyCart 100 e o drone de mapeamento Matrice 4E, cada um cumprindo uma função diferente na mesma janela de testes no lado norte da montanha, dentro da Reserva Natural Nacional de Qomolangma, na China.


Background: duas décadas de testes da DJI no Everest

A fabricante chinesa testa equipamentos discretamente no Everest desde 2009, usando o frio extremo, o ar rarefeito e os ventos imprevisíveis da montanha como um teste de estresse que nenhum laboratório reproduz. O programa já incluiu imagens do cume captadas por um Mavic 3 em 2022 e testes de carga com o FlyCart 30 em 2024. As missões de julho de 2026 marcam a fase mais ambiciosa até agora, com três aeronaves distintas voando ao mesmo tempo no mesmo ambiente extremo.

O EV50 é a grande novidade. Trata-se de um eVTOL do tipo lift-and-cruise — uma aeronave de asa fixa com rotores de decolagem vertical, que decola e pousa como um helicóptero e depois voa para a frente apoiada nas asas, ganhando alcance e velocidade. O conceito é semelhante ao de eVTOLs de carga em desenvolvimento nos Estados Unidos e na Europa para logística de última milha. Segundo a DJI, o EV50 carrega até 50 kg de carga útil por até 150 km, atinge 160 km/h sem carga e dobra para cerca de 2,4 m x 1,4 m x 1,2 m para transporte, voltando a operar em cerca de cinco minutos.


O recorde de altitude no Everest

A DJI voou o EV50 em 12 missões de pesquisa atmosférica ao longo de 12 dias no lado norte do Everest, carregando instrumentos de medição de ozônio para o Colégio de Ciências Ambientais da Universidade de Pequim. O melhor voo do drone atingiu altitude máxima de 8.861 metros, com uma subida contínua de 3.730 metros, usando padrões de voo em espiral e ziguezague para lidar com os ventos instáveis da montanha.

AeronaveFunçãoDado principal
DJI EV50Pesquisa atmosférica (eVTOL)8.861 m de altitude máxima, 12 voos
DJI FlyCart 100Entrega de carga pesada10.073 kg transportados, ~8 min por voo
DJI Matrice 4EMapeamento e reconhecimento3 km² mapeados em precisão centimétrica

FlyCart 100 reduz travessia da Geleira Khumbu para 8 minutos

Em paralelo aos testes do EV50, o já conhecido FlyCart 100 — drone de carga pesada da DJI — transportou 10.073 kg de material entre o Acampamento Base e o Acampamento 1 do Everest, em parceria com a empresa nepalesa de logística Airlift. O drone levou 7.215 kg de suprimentos de escalada montanha acima e retirou 2.858 kg de lixo em voos de volta, cada trajeto cobrindo a rota em cerca de oito minutos, em altitudes acima de 6.300 m e temperaturas de até -15°C.

Essa mesma rota costuma exigir de seis a oito horas de caminhada dos carregadores sherpas pela Geleira Khumbu, um campo de gelo instável considerado um dos trechos mais perigosos da montanha por causa de seracs que desabam e crevasses escondidas. Segundo a porta-voz da DJI Christina Zhang, a empresa segue "dedicada a tornar a montanha mais alta do mundo mais segura e mais limpa para sherpas e montanhistas do mundo todo".


Matrice 4E mapeia a geleira em 3h30

O Matrice 4E, drone de mapeamento comercial da DJI já usado em inspeção de infraestrutura, mapeou mais de 3 km² da área central da Geleira Khumbu com resolução centimétrica em 3h30, operando a 6.450 m de altitude e temperaturas abaixo de -20°C. Equipado com telêmetro a laser, o drone tem como objetivo apoiar o monitoramento de riscos em tempo real e o planejamento de buscas e resgates para expedições que acompanham a movimentação constante da geleira.


O que muda para o piloto brasileiro

A DJI não anunciou preço, disponibilidade ou processo de homologação para o EV50 em nenhum mercado fora da China, então pilotos e empresas no Brasil não devem esperar o drone à venda no curto prazo. Ainda assim, o lançamento é relevante porque a DJI domina o mercado brasileiro — a maioria dos drones DJI vendidos no Brasil já passa por homologação da Anatel antes de chegar às lojas oficiais, e um eVTOL de carga desse porte eventualmente seguiria o mesmo caminho regulatório.

O EV50 também aponta para onde vai o setor de entrega por drone, que já é realidade no Brasil com operações como a da Speedbird Aero e do iFood em São Paulo. Um eVTOL com 150 km de alcance e 50 kg de payload representa uma classe de voo bem mais longa do que a maioria das entregas urbanas atuais — do tipo de operação que depende de voos BVLOS (além da linha de visada), autorizados no Brasil pelo DECEA via SARPAS e ainda em expansão gradual pelo país. Para quem acompanha o catálogo da fabricante, o EV50 amplia o catálogo completo da DJI, que agora vai de drones de câmera para consumidor até aeronaves eVTOL de carga pesada.



Fontes: Comunicado da DJI via PR Newswire | DroneXL