Cuiabá lança drones com câmera térmica contra queimadas

A Prefeitura de Cuiabá começou, em 9 de agosto de 2026, a usar drones com câmera térmica para fiscalizar terrenos baldios e prevenir queimadas urbanas na estiagem. A Operação Escudo Verde, da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Sorp), estreou nos bairros Santa Cruz e Boa Esperança e deve se expandir para o restante da cidade.
Por que Cuiabá recorreu aos drones
Mato Grosso enfrenta todos os anos, entre julho e outubro, um período crítico de baixa umidade e alto risco de incêndio, agravado por terrenos abandonados com vegetação seca e acúmulo de lixo. Até então, a fiscalização de lotes vagos dependia quase exclusivamente de denúncias e vistorias presenciais, um processo lento diante do volume de imóveis a cobrir em uma cidade do porte de Cuiabá.
Os drones resolvem esse gargalo ao permitir que um único operador cubra uma área muito maior em menos tempo do que uma equipe a pé conseguiria. "O drone permite atingir uma área maior do terreno que está sendo fiscalizado", afirmou Diogo Viana Rabelo, piloto certificado e assessor da Sorp envolvido na operação, segundo a prefeitura.
Como funciona a Operação Escudo Verde
Os drones usados na operação combinam câmeras de alta resolução com sensores térmicos capazes de detectar variações de temperatura no solo — recurso semelhante ao de uma câmera térmica para drone usada em inspeções industriais e buscas, mas aqui aplicado à fiscalização urbana. O equipamento registra imagens e vídeos que servem de prova técnica para autuações e identifica, além do risco de incêndio, focos de água parada que favorecem a proliferação do mosquito da dengue.
O trabalho começa a partir de denúncias recebidas pelo canal Web Denúncias, mantido pela própria Sorp, para onde moradores enviam o endereço completo e pontos de referência do terreno problemático. "A utilização da tecnologia vai ser realmente um marco para a fiscalização", disse a secretária municipal Juliana Chiquito Palhares. Segundo Érico César de Arruda Silva, coordenador de fiscalização ambiental e de posturas da pasta, a maior parte das autuações parte justamente dessas denúncias públicas. A operação conta ainda com apoio da Defesa Civil, da Limpurb (Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos) e de outras secretarias municipais.
A Sorp afirmou que os voos da operação passam por autorização prévia dos órgãos competentes e seguem as normas de tráfego aéreo — uma referência ao mesmo processo de liberação de espaço aéreo que qualquer operação de drone no Brasil precisa cumprir, independentemente de quem pilota o equipamento.
Regras e prazos para donos de terrenos
A base legal da fiscalização é a Lei Complementar Municipal nº 589/2025. Segundo a norma, qualquer terreno com vegetação acima de 50 centímetros de altura já é considerado propício à propagação de incêndio e pode ser autuado imediatamente pelas imagens do drone, sem aviso prévio, justamente pelo risco à segurança pública que representa.
Depois da autuação, o proprietário recebe entre 30 e 90 dias para limpar o terreno, prazo que varia conforme o histórico do imóvel e a gravidade da situação encontrada. A prefeitura reforça que a manutenção de lotes vagos — limpeza, capina e remoção de lixo — é responsabilidade do proprietário, e não do poder público.
O que muda para o piloto brasileiro
Para pilotos e operadoras de drone no Brasil, o caso de Cuiabá é mais um exemplo de prefeituras contratando ou capacitando equipes próprias para fiscalização com RPA, um mercado que só tende a crescer com a entrada em vigor da nova regulamentação da ANAC e do DECEA em 2026. Qualquer voo institucional, como os da Sorp, precisa seguir os mesmos trâmites de autorização no SARPAS exigidos de operadores comerciais e recreativos, incluindo registro da aeronave e liberação do espaço aéreo antes da decolagem.
Municípios de outras regiões do país que também enfrentam risco elevado de queimadas urbanas na estiagem — em especial no Centro-Oeste e no interior de São Paulo e Minas Gerais — tendem a olhar para o modelo de Cuiabá como referência, o que deve ampliar a demanda por pilotos certificados e por equipamentos com sensor térmico no setor público nos próximos meses.
FAQ
Fontes: Prefeitura de Cuiabá | CircuitoMT
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