Skip to main content

PRF usa drone na BR-364 após alta de 31% em acidentes

4 min de leituraLucas Buzzo
PRF usa drone na BR-364 após alta de 31% em acidentes

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) do Rondônia anunciou, nesta segunda-feira (28 de setembro de 2026), o início do monitoramento por drones e câmeras térmicas na BR-364. A medida responde a uma alta de 31,02% nos acidentes de trânsito no estado: foram 1.398 ocorrências entre janeiro e setembro deste ano, contra 1.067 no mesmo período de 2025, com 98 mortes registradas.


Contexto: por que os acidentes dispararam em Rondônia

Segundo a PRF, os 1.398 acidentes registrados nas rodovias federais do Rondônia até setembro de 2026 resultaram em 352 ocorrências graves, 1.595 pessoas feridas e 98 mortes. O salto de 31% sobre o mesmo período de 2025 concentra as causas em fatores comportamentais: distração ao volante (associada ao uso de celular), desrespeito à distância de segurança entre veículos, ultrapassagens em local proibido e consumo de álcool antes de dirigir.

O trecho mais crítico é a BR-364 entre Porto Velho e Vilhena, rodovia de fluxo intenso de caminhões de carga que liga o Centro-Oeste ao Norte do país. Em agosto, a concessionária Nova 364, responsável pela administração do trecho, já havia cedido à PRF três drones e três câmeras térmicas para reforçar a segurança viária na via — equipamento que agora entra oficialmente em operação.


Como funciona a fiscalização aérea na BR-364

Os drones sobrevoam pontos considerados críticos da rodovia, ampliando o alcance visual das equipes terrestres em trechos onde viaturas convencionais têm dificuldade de flagrar infrações a tempo. As câmeras térmicas embarcadas identificam, por exemplo, superaquecimento nos sistemas de freio de caminhões — um indicativo de risco de falha mecânica em declives, comum na BR-364.

"O uso de drones e câmeras integradas é um avanço estratégico para a PRF em Rondônia", afirmou Bruno Leonardo, chefe da Delegacia de Segurança Viária da PRF no estado. Segundo ele, o objetivo não é primariamente punitivo: "Nosso objetivo não é a punição, mas ampliar a presença policial nos pontos mais críticos para salvar vidas, combatendo as condutas imprudentes que provocam as tragédias no trânsito."

André Oliveira, chefe de operações da PRF na região, reforça que os estudos estatísticos da corporação apontam ultrapassagens indevidas e excesso de velocidade como responsáveis pela maior parte dos acidentes graves na rodovia. Já Marcio Souto, gerente de operações da Nova 364, destaca o volume de veículos de carga como fator de risco adicional no trecho.

A iniciativa se soma a outras operações que a PRF já realiza com drones em rodovias federais de estados como Minas Gerais e Santa Catarina, onde as aeronaves também são usadas para aplicar multas por videomonitoramento — nesse caso, com foco declarado em identificação de infrações, e não apenas em prevenção.


O que muda para o piloto brasileiro

Para quem pilota drones recreativamente ou de forma profissional no Rondônia, a notícia tem um recado direto: o espaço aéreo sobre a BR-364, entre Porto Velho e Vilhena, passa a ter aeronaves remotamente pilotadas operando de forma programada em pontos críticos da via, dentro de uma missão institucional de segurança pública.

A regulamentação de drones no Brasil já determina que operações recreativas ou profissionais devem manter distância de aeronaves em atividade oficial e não podem interferir em ações de segurança pública, sob risco de apreensão do equipamento e responsabilização civil e penal do operador. Antes de voar próximo a rodovias federais monitoradas, é recomendável consultar o SARPAS e verificar se há restrições vigentes para o trecho.

Para quem avalia atuar profissionalmente no setor, o caso reforça uma tendência: órgãos de segurança pública e concessionárias de rodovias em todo o país estão ampliando parcerias para uso de drones em fiscalização e monitoramento viário, um mercado que segue crescendo no Brasil.



Fontes: Rondoniaovivo | News Rondônia | News Rondônia — doação Nova 364