
EUA encomenda 30.000 drones-kamikaze pelo Drone Dominance
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou em 5 de março de 2026 a encomenda de 30.000 drones de ataque de uso único como primeira fase do programa Drone Dominance. O contrato inicial soma US$ 150 milhões, com custo aproximado de US$ 5.000 por unidade — menos que o preço de um automóvel popular.
A decisão foi acelerada por um dado concreto: no final de fevereiro de 2026, o Exército americano empregou esses sistemas pela primeira vez em combate real na Operação Epic Fury, contra alvos iranianos. O sucesso operacional converteu o programa de piloto para compra massiva em menos de uma semana.
Contexto: por que os EUA apostam em drones baratos
A lógica do Drone Dominance é matemática. Um míssil convencional custa entre US$ 500.000 e US$ 2 milhões. Um drone de ataque descartável com precisão suficiente para acertar um alvo a 10 km pode custar mil vezes menos. Conflitos recentes — sobretudo a guerra na Ucrânia — demonstraram que nações com produção massiva de drones têm vantagem tática significativa sobre adversários que dependem de armamentos caros e escassos.
Em julho de 2025, o secretário de Defesa Pete Hegseth formalizou essa visão no memorando "Unleashing US Military Drone Dominance". O objetivo declarado: adquirir mais de 300.000 drones domésticos até o final de 2027, com investimento total de US$ 1,1 bilhão. O senador Roger Wicker, presidente do Comitê de Forças Armadas do Senado, admitiu em audiência que os EUA estão "anos atrás da curva" na produção e implantação de drones — reconhecimento incomum para a maior potência militar do mundo.
Como mostramos na história dos drones, a corrida por sistemas não tripulados militares tem raízes na Segunda Guerra Mundial, mas ganhou velocidade exponencial na última década, impulsionada exatamente por conflitos de baixa intensidade onde custo e escala importam mais que sofisticação.
O Gauntlet I: a competição que selecionou os fornecedores
Para escolher os fabricantes, o Pentágono realizou o Gauntlet I — competição de duas semanas entre 17 de fevereiro e 4 de março de 2026 no Fort Moore, na Geórgia. Vinte e cinco empresas apresentaram sistemas; cerca de 100 militares do Exército, Corpo de Fuzileiros Navais e forças especiais os avaliaram em cenários simulados de combate.
O critério mais revelador: cada operador recebeu apenas duas horas de treinamento por sistema antes dos testes. A simplicidade de operação era condição, não acessório. As missões incluíam engajar alvos a 10 km em terreno aberto e a 1 km em ambiente urbano.
O resultado surpreendeu o setor. A startup britânica Skycutter liderou com 99,3 de 100 pontos, seguida pela americana Neros (87,5) e pela Napatree Technology (80,3). Empresas consolidadas como AeroVironment — referência histórica no setor de drones militares americanos — e Redwire, que apostou US$ 1 bilhão em drones ao adquirir a Edge Autonomy em 2025, sequer chegaram ao Gauntlet. Fabricantes ucranianos também participaram e comprometeram-se a instalar fábricas nos EUA como condição de habilitação contratual.
LUCAS: especificações e cronograma do programa
LUCAS é a sigla para Low-Cost Unmanned Combat Attack System — drone de ataque de uso único, projetado para ser consumível como munição, não como equipamento reutilizável. O custo alvo na fase atual é de US$ 5.000 por unidade, com meta de redução para US$ 2.000 nos contratos finais.
O programa está estruturado em três rodadas competitivas:
| Fase | Período | Drones | Valor estimado |
|---|---|---|---|
| Gauntlet I | fev–mar 2026 | 30.000 | US$ 150 milhões |
| Gauntlet II | ago 2026 | a definir | — |
| Gauntlet III + contrato final | 2027 | 150.000 | US$ 345 milhões |
A partir do Gauntlet II, os testes incluirão cenários de negação de GPS, bloqueio de comunicações e guerra eletrônica — condições que representam os ambientes de conflito real mais exigentes. Ao final de três rodadas, o Pentágono prevê selecionar cinco fornecedores definitivos para uma encomenda combinada de 150.000 unidades a US$ 2.300 cada.
O que muda para o piloto brasileiro
Para quem pilota drones no Brasil, o Drone Dominance não é apenas notícia de geopolítica — ele afeta o setor de três formas práticas.
Pressão por produção doméstica. O programa americano exige fabricação nos EUA como condição de contrato. Essa tendência de nacionalização da cadeia produtiva de drones pode estimular iniciativas similares no Brasil. O governo já sinalizou essa direção: em 2025, a Marinha e a Taurus anunciaram parceria para desenvolver drones armados nacionais, e os Fuzileiros Navais ativaram seu próprio esquadrão de drones táticos.
Queda de preços no longo prazo. A meta americana de chegar a US$ 2.000 por drone cria pressão competitiva global. Tecnologias desenvolvidas para o programa LUCAS — sensores miniaturizados, baterias de alta densidade, controladores de voo robustos — tendem a migrar para o mercado civil nos próximos anos, barateando equipamentos profissionais.
Regulamentação sob pressão. O acelerado desenvolvimento de drones militares recoloca questões sobre uso de drones em conflitos e o direito internacional humanitário no centro do debate global. No Brasil, a ANAC ainda finaliza o RBAC nº 100, novo marco regulatório com categorias operacionais baseadas em risco — estrutura que precisará contemplar não apenas drones civis, mas também sistemas de duplo uso que a corrida armamentista está tornando mais acessíveis.
Para pilotos e empresas do setor, o cenário é positivo no médio prazo: a demanda militar em escala industrial por drones de alta performance impulsiona pesquisa e desenvolvimento que eventualmente chega ao mercado civil.
Fontes: Breaking Defense | DroneLife | sUAS News | Global Defense Corp
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