
Exército usa IA para controlar enxame de drones
O Exército Brasileiro apresentou, em 5 de março de 2026, um sistema de inteligência artificial capaz de coordenar enxames de drones e robôs terrestres autônomos em operações militares. O projeto, batizado de EVAAT-GCN (Enxame de Veículos Autônomos Aéreos e Terrestres: Guiamento, Controle e Navegação), é conduzido pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) e financiado pela FINEP, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
A apresentação reuniu representantes do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército (DCT), da FINEP e de universidades parceiras. O general Hertz Pires do Nascimento, chefe do DCT, afirmou que o sistema prevê "drones de reconhecimento e drones armados, equipados com diversos sensores", com capacidades disruptivas a serem finalizadas até o fim de 2026.
Contexto
O desenvolvimento do EVAAT-GCN ocorre em paralelo a uma avaliação estratégica do próprio Exército. Um documento do Estado-Maior do Exército (EME), divulgado em 9 de março pelo jornal Estadão, classificou a "saturação do espaço aéreo por drones" como uma ameaça de "alta probabilidade e impacto crítico" — conclusão baseada no estudo dos conflitos recentes envolvendo EUA, Israel e Irã.
A mesma análise recomenda que o Brasil expanda sua capacidade de guerra eletrônica, desenvolva doutrina de detecção e neutralização de aeronaves não tripuladas e implemente sistemas anti-drone em infraestruturas estratégicas.
Nesse cenário, o EVAAT-GCN atende a dois objetivos simultâneos: construir capacidade ofensiva com drones autônomos e fortalecer a Base Industrial de Defesa nacional, reduzindo dependência de tecnologia estrangeira numa área considerada crítica para a soberania do país.
O projeto EVAAT-GCN
O diferencial do sistema está na arquitetura descentralizada de controle. Em vez de depender de um operador central que monitora cada drone individualmente, o EVAAT-GCN usa IA distribuída: cada veículo processa informações localmente, compartilha dados com os demais em tempo real e toma decisões de forma autônoma dentro das diretrizes da missão.
Essa abordagem é conhecida no setor como swarm intelligence (inteligência de enxame) e permite que o grupo mantenha coesão operacional mesmo se um ou mais drones forem neutralizados — uma vantagem tática significativa em ambientes contestados. Para entender como a inteligência artificial está transformando os drones civis e militares, veja o artigo sobre drones e inteligência artificial.
As capacidades planejadas para o sistema incluem:
- Drones de reconhecimento com sensores termais, infravermelhos e câmeras de alta resolução
- Variantes armadas para apoio de fogo de precisão
- Veículos terrestres autônomos para suporte logístico
- Aeronaves de asa fixa para missões de longa distância
- Interfaces de realidade virtual e aumentada para operadores
O projeto está em desenvolvimento há cerca de um ano. O próximo passo previsto é a contratação de uma empresa da indústria de defesa nacional para fabricar os primeiros protótipos físicos.
Parceiros e financiamento
Além do IME, o EVAAT-GCN conta com a participação de três instituições civis de pesquisa: a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC). Carlos Alberto Aragão de Carvalho Filho, diretor de Desenvolvimento Científico e Tecnológico da FINEP, participou da apresentação do sistema.
O projeto é financiado dentro de um conjunto de 48 projetos de pesquisa que o Exército mantém ativos com a FINEP. A escolha por parceiros acadêmicos civis — em vez de fornecedores privados estrangeiros — é deliberada: o Exército afirmou que a produção deverá "aproveitar a Base Industrial de Defesa do Brasil", fortalecendo capacidades tecnológicas nacionais em IA aplicada a sistemas autônomos.
O uso de drones armados autônomos levanta questões que vão além da tecnologia. O debate sobre supervisão humana em decisões letais — central no direito internacional humanitário aplicado a drones militares — se torna diretamente relevante à medida que projetos como o EVAAT-GCN avançam para protótipos operacionais.
O que muda para o piloto brasileiro
Para quem pilota drones civis no Brasil, o impacto imediato do EVAAT-GCN é indireto — mas relevante.
Restrições de espaço aéreo. Testes com enxames de drones militares devem ampliar a necessidade de ROZ (Restricted Operations Zones) temporárias próximas a instalações militares e áreas de treinamento. Pilotos civis que voam próximos a bases do Exército devem acompanhar as publicações de NOTAMs pelo DECEA com mais frequência.
Pressão por regulamentação de IA em VANTs. O avanço de drones com decisão autônoma no setor militar deve acelerar o debate regulatório sobre voos autônomos civis. A ANAC e o DECEA ainda não têm normas específicas para aeronaves com IA embarcada — uma lacuna que tende a ser endereçada nos próximos anos conforme a tecnologia amadurece também no setor privado.
Oportunidades na cadeia de defesa. O Exército prevê contratar empresas nacionais para produzir os protótipos do EVAAT-GCN. Fabricantes e operadores brasileiros com experiência em drones profissionais, inspeção ou mapeamento podem ter perfil técnico compatível com as demandas da cadeia de fornecimento de defesa.
Fontes: DefesaNet | Defesa Aérea & Naval | Forças Terrestres
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