Skip to main content

Drone Fecha Aeroporto de Salvador: 2 Voos Desviados

4 min de leituraLucas Buzzo
Drone Fecha Aeroporto de Salvador: 2 Voos Desviados

Um drone não identificado invadiu o espaço aéreo restrito do Aeroporto Internacional de Salvador – Deputado Luís Eduardo Magalhães na tarde de segunda-feira, 28 de setembro de 2026, forçando a suspensão temporária de pousos e decolagens. A torre de controle detectou o equipamento, pelo menos dois voos da Gol foram desviados para o Aeroporto de Aracaju (SE) e a operação só foi normalizada por volta das 15h30. Até a manhã seguinte, ninguém havia identificado o operador do drone.


O que se sabe sobre a invasão de drone em Salvador

O caso aconteceu no início da tarde de segunda-feira. A torre de controle identificou a presença do drone nas proximidades da pista e comunicou a ocorrência à administração do aeroporto, operado pela concessionária Vinci Airports. Por precaução, pousos e decolagens foram suspensos até a confirmação de que a área estava livre.

Pelo menos dois voos da Gol com destino a Salvador precisaram ser desviados para o Aeroporto Santa Maria, em Aracaju (SE), a cerca de 280 km de distância. Um voo da Air France, vindo de Paris, chegou a sobrevoar a região em círculos — e quase foi desviado para o Recife — antes de conseguir pousar após a normalização, segundo rastreamento público de voos. No total, companhias aéreas relataram quatro voos impactados pela interrupção.

Em nota, a Vinci Airports confirmou que "a ocorrência já foi normalizada e as operações seguem normalmente no aeroporto", mas não revelou o modelo do drone, por quanto tempo ele permaneceu na área nem quem o operava. Até a manhã de terça-feira (29), nem a Força Aérea Brasileira, nem o DECEA, nem a Polícia Civil da Bahia haviam confirmado publicamente a abertura de investigação ou identificado um suspeito.


Um padrão que se repete nos aeroportos brasileiros

Salvador se junta a uma lista crescente de aeroportos brasileiros interrompidos por drones não autorizados em 2026. O caso mais notório é o de Guarulhos, o aeroporto mais movimentado do país, que somou 35 interrupções por drones só em 2025 e já acumulava mais de dez só nos dois primeiros meses de 2026 — um histórico que levou o governo a anunciar Guarulhos como o primeiro aeroporto do Brasil a receber, por norma, um sistema obrigatório de detecção e neutralização de drones.

A diferença em Salvador é que, até a publicação desta reportagem, não há indício de ligação com atividade criminosa organizada — ao contrário de episódios anteriores em Guarulhos, em que a Polícia Federal confirmou que um drone era operado por integrantes de uma facção para monitorar a área do aeroporto. Ainda assim, o efeito prático é o mesmo: um equipamento não autorizado, de baixo custo e fácil de operar, consegue parar a operação de um aeroporto internacional por quase duas horas sem que exista, hoje, uma camada de detecção automática que impeça o sobrevoo antes que ele aconteça.


O que muda para o piloto brasileiro

Para quem voa drone dentro da regra, o episódio de Salvador não altera a legislação — mas reforça um limite que já é rígido. Qualquer voo dentro do perímetro de proteção de um aeroporto brasileiro exige autorização prévia pelo SARPAS, o sistema do DECEA que libera o acesso ao espaço aéreo, independentemente do peso do drone. Fora dessas áreas, o piloto também precisa respeitar as zonas proibidas de voo sinalizadas em cartas aeronáuticas e aplicativos como o AISWEB.

Quem é flagrado sobrevoando a área de um aeroporto sem liberação está sujeito a multa da ANAC, que pode chegar a R$ 50 mil, além de responder criminalmente por expor a aviação civil a perigo — conduta prevista no artigo 261 do Código Penal, com pena de dois a cinco anos de reclusão. Com episódios como o de Salvador se somando ao histórico de Guarulhos, a tendência é que a fiscalização em torno de aeroportos brasileiros fique mais rígida, inclusive para quem opera de forma recreativa nas proximidades de terminais.



Fontes: Bahia Notícias | Revista Sociedade Militar