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Ceará: presídios sofriam 30 ataques de drone por dia

4 min de leituraLucas Buzzo
Ceará: presídios sofriam 30 ataques de drone por dia

O sistema prisional do Ceará chegou a sofrer até 30 ataques de drone por dia, segundo o secretário da Administração Penitenciária, Mauro Albuquerque, e hoje registra cerca de um por semana. Na quarta-feira (14/10/2026), o estado recebeu do Ministério da Justiça três drones, um georradar e três kits de varredura eletrônica, parte de um pacote federal de R$ 23 milhões.


Contexto: o "delivery do crime" por drones

Drones comerciais viraram a principal rota para levar celulares, carregadores e drogas a unidades prisionais brasileiras. Um equipamento de poucos quilos sobrevoa o muro à noite, solta a carga no pátio e vai embora em segundos, o que torna a interceptação difícil sem detecção eletrônica. Outros casos recentes mostram o mesmo padrão, como o do drone flagrado levando drogas a presídio no Amapá.

No Ceará, segundo o Diário do Nordeste, a média foi de 30 ataques por dia entre 2021 e 2026, com pico entre 2024 e 2025. O secretário não detalhou os dados que sustentam o número. Desde o ano passado, 38 drones foram abatidos, 29 pilotos foram presos e cerca de 500 celulares foram apreendidos antes de entrar nos presídios, de acordo com Albuquerque.


O que o estado recebeu do governo federal

O anúncio ocorreu na sede da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), em Fortaleza, e integra o projeto Padrão Segurança Máxima, do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Conforme o jornal O Povo, o governo federal destinará R$ 23 milhões à segurança prisional cearense até o fim de 2026.

Os itens entregues em 14 de outubro somam R$ 2,9 milhões:

  • 3 drones, de R$ 150 mil cada, com câmeras térmica e de zoom e iluminador infravermelho;
  • 3 kits de varredura eletrônica, que detectam celulares, carregadores, aparelhos eletrônicos e sinais de Wi-Fi;
  • 1 georradar, que identifica túneis e cavidades no solo. Segundo a reportagem, o equipamento já localizou um túnel inativo havia mais de 10 anos na unidade Itaitinga 1.

Também foram entregues 11 aparelhos de raio-X, 3 scanners corporais e 27 detectores manuais de metal. O MJSP mapeou 138 presídios do país que abrigam grandes lideranças criminosas, nove deles no Ceará, que passarão ao padrão de segurança máxima.


Ceará será o laboratório nacional de tecnologia penal

O estado vai abrigar o primeiro Parque de Testes do Laboratório de Inovação em Inteligência Penal (Labiinpen) do Brasil, com abertura prevista para novembro de 2026. O espaço servirá para avaliar tecnologias em condições reais de uso, em parceria com universidades e empresas.

O secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, afirmou que os novos equipamentos tecnológicos federais "serão testados primeiramente no Ceará". As autoridades ainda não detalharam quais tecnologias serão testadas. A defesa contra drones, por ora, depende de projetos pontuais, como o sistema antidrone de Guarulhos.


O que muda para o piloto brasileiro

Para quem voa dentro da lei, o efeito é indireto, mas real. Quanto mais ataques por drone chegam às manchetes, maior a pressão por fiscalização, rastreabilidade e restrições perto de presídios e outras instalações sensíveis. Voar nas proximidades de uma unidade prisional, mesmo sem qualquer intenção ilícita, pode levar à abordagem policial, à apreensão do equipamento e a questionamentos sobre autorização.

Antes de qualquer voo próximo a áreas urbanas, consulte o SARPAS e confira as zonas proibidas para voar drone. Mantenha também o cadastro em dia, conforme o guia de regulamentação de drones no Brasil. Para fabricantes e prestadores de serviço, o parque de testes do Ceará pode abrir espaço para homologar soluções de detecção e varredura no mercado brasileiro.



Fontes: O Povo | Diário do Nordeste