ANAC registra 177 mil drones; Senado cobra incentivo

O Brasil já tem 177 mil drones registrados na ANAC, com cerca de 10 mil novos cadastros por mês, segundo dados apresentados em audiência pública no Senado em 8 de setembro de 2026. A frota é usada em agricultura, saúde pública, segurança e defesa nacional — mas especialistas ouvidos pela Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) dizem que o Brasil ainda não tem uma estratégia industrial para o setor.
O que foi discutido na audiência
A audiência pública foi solicitada pelo senador astronauta Marcos Pontes (PL-SP) e reuniu representantes da ANAC, da Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC/MPOR), da Força Aérea Brasileira (FAB) e de empresas do setor, entre elas a ABDrone (Associação Brasileira das Empresas de Drones), a SkyDrones Technology e a Speedbird Aero.
O ponto de partida foi o crescimento acelerado da frota nacional. Em março de 2026, o Anuário ABDrone já apontava 133 mil drones cadastrados na ANAC; seis meses depois, esse número saltou para 177 mil — um avanço de 33% no período, puxado por cerca de 10 mil novos registros por mês em plataformas como o SISANT.
Esse ritmo é bem mais rápido do que o crescimento anual de cerca de 20% registrado até o início de 2026. Parte da aceleração é atribuída à entrada em vigor do RBAC 100 em julho, que tornou o cadastro obrigatório para praticamente toda a frota — incluindo operadores que antes driblavam o registro por desconhecimento das regras ou por operar equipamentos usados apenas ocasionalmente.
Brasil lidera a América Latina, mas fica atrás de China e EUA
Apesar do ritmo de crescimento, o Brasil ainda está longe das maiores frotas do mundo. A China soma 3,29 milhões de drones civis registrados — 18 vezes o total brasileiro —, enquanto a América do Norte já passa de 855 mil unidades cadastradas.
| Região/país | Drones registrados | Posição |
|---|---|---|
| China | ~3,29 milhões | 1º lugar global |
| América do Norte | 855 mil+ | — |
| Brasil | 177 mil | Líder na América Latina |
Segundo os debatedores, o Brasil responde por cerca de 62% do valor de mercado de drones na América Latina, mas o crescimento da frota esbarra em obstáculos estruturais que, segundo eles, freiam a indústria nacional em relação aos concorrentes globais.
Os obstáculos apontados pelo setor
Júlia Lopes da Silva Nascimento, diretora de Planejamento e Fomento da SAC/MPOR, listou os principais entraves ao crescimento da indústria nacional de drones:
- Carga tributária elevada sobre equipamentos e componentes importados
- Falta de incentivo à cadeia produtiva nacional
- Escassez de mão de obra especializada
- Financiamento de pesquisa e desenvolvimento (P&D) insuficiente
- Acesso limitado a crédito para pequenas empresas do setor
- Ausência de uma estratégia nacional coordenada para drones
Pedro Curcio Júnior, presidente da ABDrone, defendeu a criação de um Programa Nacional de Drones com redução de impostos sobre peças e equipamentos, apoio a pequenos empreendedores e mais recursos para pesquisa. O major-brigadeiro Frederico Casarino, da FAB, resumiu o argumento pela autonomia tecnológica: "o melhor parceiro do Brasil é o próprio Brasil", defendendo menor dependência de tecnologia estrangeira.
O senador Marcos Pontes propôs a criação de uma frente parlamentar para acompanhar o tema no Congresso, e os participantes reforçaram a necessidade de integração entre ANAC, DECEA (controle do espaço aéreo) e Anatel (telecomunicações) para acompanhar a expansão da frota com segurança.
A audiência também reuniu representantes da iniciativa privada, como Ulf Bogdawa, CEO da SkyDrones Technology, e Manoel Coelho, CEO e cofundador da Speedbird Aero — startup brasileira de entrega por drone —, levando ao Senado a perspectiva de quem já opera frotas comerciais no país e convive diretamente com a burocracia de importação e certificação de equipamentos.
O que muda para o piloto brasileiro
Para quem já opera ou pretende registrar um drone, a audiência não trouxe mudanças imediatas nas regras — o RBAC 100, em vigor desde julho de 2026, continua sendo a norma vigente para cadastro no SISANT e autorização de voo no SARPAS. O que muda é o sinal político: com 177 mil drones já registrados e 10 mil novos por mês, a pressão por um marco legal específico e por incentivos fiscais tende a aumentar nos próximos meses.
Na prática, isso pode significar equipamentos nacionais mais competitivos e menor dependência de importados a médio prazo, além de mais atenção do Congresso a temas como treinamento e certificação de pilotos. Para quem ainda não regularizou o próprio drone, vale lembrar que o cadastro na ANAC é obrigatório para aeronaves acima de 250 g e gratuito, e que ele é o primeiro passo antes de solicitar autorizações de voo pontuais ou recorrentes no SARPAS.
Para quem opera comercialmente — em pulverização agrícola, inspeção, mapeamento ou segurança —, os números apresentados no Senado reforçam um sinal de mercado: a fiscalização tende a ficar mais rigorosa à medida que a frota cresce e ganha visibilidade política, o que torna a regularização completa (cadastro, autorização de voo e, quando aplicável, licença de operador) cada vez menos opcional na prática.
FAQ
Fontes: Senado Notícias | Revista Sociedade Militar
Mais como este
Artigos Relacionados

Drone Apreendido no Rock in Rio 2026 sem Autorização
PM apreendeu um drone não autorizado sobrevoando área restrita do Rock in Rio em 5/9. Piloto não tinha autorização do SARPAS. Veja…

XMobots já investiu R$ 220 milhões em defesa no Brasil
A fabricante brasileira XMobots aplicou R$ 220 milhões em soluções de defesa desde 2022 e fornece drones Nauru ao Exército, Marinh…

Drone a Jato Russo Reduz Interceptação Ucraniana a 60%
Rússia disparou 2.800 drones a jato contra a Ucrânia em agosto, derrubando a interceptação ucraniana de quase 90% para cerca de 60…