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Drone com cocaína é derrubado em presídio de Campo Grande

4 min de leituraLucas Buzzo
Drone com cocaína é derrubado em presídio de Campo Grande

Servidores da Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande derrubaram, na noite de quarta-feira (22 de julho de 2026), um drone que sobrevoava o pátio da unidade carregando cocaína e um celular Samsung A16 5G. A aeronave foi atingida com vassouras e rodos por volta das 19h50 e caiu sobre o telhado do presídio; o operador do equipamento não foi identificado. É o terceiro flagrante de drone usado para abastecer presídios registrado em Mato Grosso do Sul em apenas duas semanas.


Como foi a interceptação em Campo Grande

Agentes penitenciários notaram o drone sobrevoando o pátio da unidade, no bairro Jardim Noroeste, e reagiram com o apoio de um interno que exercia atividade autorizada no local. Juntos, atingiram o equipamento com vassouras e rodos, derrubando-o sobre o telhado antes que a carga chegasse aos detentos.

O material apreendido — uma porção de cocaína e um smartphone Samsung A16 5G — foi encaminhado ao Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denar) para investigação. Até a divulgação do caso, ninguém havia sido preso: nem o piloto do drone nem o destinatário da carga dentro do presídio foram identificados.


Um padrão que se repete em Mato Grosso do Sul

O caso de Campo Grande não é isolado. Em Dourados, a cerca de 220 km dali, a Penitenciária Estadual (PED) já havia registrado dois episódios semelhantes na mesma semana: em 10 de julho, quase 1 kg de drogas foi interceptado ao lado de um dos pavilhões; em 16 de julho, um drone abandonado por seu operador continha celular, carregadores, baterias extras e fones de ouvido. Segundo agentes da unidade, a PED chega a registrar mais de 50 sobrevoos suspeitos por mês em determinados períodos, sem que exista hoje um levantamento oficial consolidado sobre o volume total de interceptações no estado.

Diante da frequência dos casos, a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen-MS) anunciou em junho de 2026 a aquisição de aparelhos de raio-X, scanners corporais e viaturas especializadas para reforçar a segurança perimetral das unidades. Agentes de segurança também defendem publicamente a adoção de equipamentos de detecção de drones em tempo real e o uso de aeronaves com câmera térmica para localizar operadores durante rondas noturnas — tecnologia que hoje se concentra principalmente em aeroportos e grandes eventos, mas que começa a ser cobrada também para o entorno de presídios.


O que muda para o piloto brasileiro

Casos como o de Campo Grande não alteram as regras de quem voa drone dentro da lei, mas aumentam a pressão por fiscalização mais rígida — especialmente sobre equipamentos com boa autonomia e câmera, os mais visados tanto por operadores comerciais quanto por criminosos. Na prática, isso deve significar checagens mais frequentes de cadastro no SISANT e autorização de voo pelo SARPAS perto de presídios e outras instalações sensíveis, área que já é considerada restrita por padrão.

A tramitação do PL 5.646/2025, que autoriza forças de segurança a interceptar e neutralizar drones que representem ameaça, ganha argumento prático a cada novo flagrante desse tipo — hoje, a detecção nas unidades prisionais de Mato Grosso do Sul ainda depende quase inteiramente da vigilância humana dos próprios agentes penitenciários. Para o piloto profissional que presta serviço de filmagem ou inspeção perto de áreas urbanas com presídios, o recado é redobrar o cuidado com rotas e horários: sobrevoos noturnos não identificados nesse tipo de região tendem a atrair resposta policial imediata, mesmo quando a intenção é legítima.



Fontes: Fátima News | Campo Grande News